O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, enviou uma carta à colega brasileira, Dilma Rousseff, pedindo que ela conceda a extradição do ex-ativista Cesare Battisti, noticiou a imprensa italiana.
A carta, que não foi divulgada oficialmente pela assessoria de imprensa de Dilma, foi entregue através da embaixada do Brasil na Itália, segundo o jornal La Repubblica, que publicou fragmentos do texto. "Talvez não tenha sido plenamente compreendida a necessidade de justiça de meu país e dos familiares das vítimas dos brutais e injustificáveis ataques armados, assim como os dos feridos e sobreviventes", escreveu o chefe de Estado italiano.
Para Napolitano, militante histórico do Partido Comunista, a recusa da extradição de Battisti "é motivo de decepção e amargura para a Itália", onde o ativista de esquerda foi condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos cometidos na década de 70.
Para o presidente italiano, "é inaceitável negar, apagar ou fazer uma leitura romântica dos derramamentos de sangue daqueles anos e a responsabilidade não pode ser esquecida", escreveu.
Napolitano recordou à presidente brasileira que "se trata de uma necessidade de justiça da Itália ligada ao compromisso das instituições democráticas de meu país e da coletividade nacional, que foram capazes de rejeitar a ameaça e os ataques do terrorismo, conseguindo derrotá-lo segundo as regras do Estado de Direito".
O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva decidiu no último dia de seu governo não extraditar Battisti, ex-militante de extrema-esquerda, condenado por assassinato e considerado um "terrorista" por Roma.
Sua decisão causou um grande mal-estar no governo italiano, que a contestou ante o Supremo Tribunal do Brasil, além de chamar para consultas seu embaixador no país latino-americano.
Battisti foi condenado à revelia na Itália à prisão perpétua por quatro assassinatos quando era membro do grupo radical Proletários Armados pelo Comunismo, na década de 1970.
Estava preso desde 2007 em Brasília a pedido das autoridades da Itália.
No último dia 6, o presidente do Supremo Tribunal do Brasil, Cézar Peluso, negou sua imediata liberação e reabriu oficialmente o caso, que será examinado em fevereiro.
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