sábado, 2 de abril de 2011

BOLA PRETA - Relatório final da PF sobre o mensalão traz novas provas e acusações contra políticos.


Com 332 páginas, o relatório final da Polícia Federal (PF) sobre o caso do mensalão indica que o dinheiro usado pelo empresário Marcos Valério veio dos cofres públicos e traz novas provas e acusações contra dezenas de políticos. O documento teria sido produzido a partir de uma determinação do ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF).

Conforme reportagem da Revista Época, que chega às bancas nesta semana, o segurança Freud Godoy, que trabalha com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde 1989 confessou à PF que recebeu R$ 98 mil de Marcos Valério. Disse que se tratava de pagamento dos serviços de segurança prestados a Lula na campanha de 2002 e durante a transição para a Presidência.

Rastreando as contas do valerioduto, os investigadores comprovaram que um assessor do hoje ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, recebeu um cheque de R$ 247 mil de uma das contas da SMP&B no Banco Rural em 12 de agosto de 2004. Ouvido pelos delegados, Rodrigo Barroso se recusou a dar explicações.

Segundo a Época, o banqueiro Daniel Dantas tentou garantir o apoio do governo petista por intermédio de dinheiro enviado às empresas de Marcos Valério. Depois de se reunir com José Dirceu, então ministro da Casa Civil, Dantas recebeu do então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, um pedido especial de ajuda financeira: US$ 50 milhões.

Conforme a PF, a propina foi aceita. Pouco antes de o mensalão vir a público, uma das empresas controladas pelo banqueiro fechou contratos com Valério — apenas para que houvesse um modo legal de depositar o dinheiro. Houve tempo suficiente para que R$ 3,6 milhões fossem repassados ao publicitário. Encaminhou-se esse total a doleiros, mas a PF ainda não descobriu os reais beneficiários do dinheiro.

De acordo com a reportagem, apurou-se que houve duas fontes de recursos para bancar o mensalão e as demais atividades de Marcos Valério. A primeira consistia em dinheiro público, proveniente dos contratos do publicitário com ministérios e estatais. O principal canal de desvio estava no Banco do Brasil, num fundo de publicidade chamado Visanet, destinado a ações de marketing do cartão da bandeira Visa.

A segunda fonte estipulava que Marcos Valério seria ressarcido pelos pagamentos aos políticos por meio de contratos de lobby com empresas dispostas a se aproximar da Presidência. Foi o caso do Banco Rural, que tentava obter favores do Banco Central e do banqueiro Daniel Dantas, que precisava do apoio dos fundos de pensão das estatais.

A Época informa ainda que nas eleições de 2004, Marcos Valério repassou recursos a duas outras candidaturas do PT em São Paulo: a de Emídio de Souza à prefeitura de Osasco (R$ 189 mil) e a do hoje deputado Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, à prefeitura de São Bernardo do Campo (R$ 17 mil).

Entre os novos beneficiários do PT, a PF descobriu uma militante que trabalhou para Ivan Guimarães, então presidente do Banco Popular, que pertence ao Banco do Brasil. A funcionária, Renata Maciel, sacou R$ 150 mil na agência do Rural, em plena Avenida Paulista. A operação aconteceu em novembro de 2004, logo após o período eleitoral.
Fonte:ZERO HORA


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