Em sua coluna na
última página de VEJA, o jornalista Roberto Pompeu
resumiu no trecho reproduzido abaixo o julgamento do mensalão:
Entre a glória e a
desmoralização, o Supremo Tribunal Federal equilibra-se num estreito fio. Da
denúncia do Ministério Público, em abril de 2006, à sua aceitação pelo relator
do processo do mensalão, em agosto de 2007, transcorreram dezesseis meses.
Entre a aceitação da denúncia e o início do julgamento, em agosto de 2012,
foram cinco anos. Mais quatro meses e, em dezembro de 2012, o julgamento chega
ao fim, com 25 condenados. Alívio. Enfim, conseguimos. Não, não conseguimos.
Falta a publicação do acórdão. Como ninguém é de ferro, é preciso calma para
que cada ministro reveja o texto de seus votos, medite, pondere. Mais quatro
meses se escoam.
Em abril, aleluia, o acórdão é
publicado. Abre-se o prazo para os réus apresentarem seus recursos. O.k., é
rapidinho: só dez dias. Agora, é só marcar o julgamento. Passa um mês, passam
dois, passam três, e só no último dia de julho o presidente do Supremo marca
para 14 de agosto, esta quarta-feira, o início da nova fase. Os réus já não
foram condenados? Foram. As penas já não lhes foram atribuídas? Foram. O que
pode mudar, então, com os embargos declaratórios e, quem sabe, se forem
aceitos, mesmo com os que atendem pelo assustador nome de infringentes? É o que
a plateia gostaria de saber, mas mesmo quem está no palco não sabe responder.
Vá explicar a um estrangeiro que um processo se arrasta por seis anos, enfim
chega ao fim, mas o fim não é o fim, é um fim que prenuncia um recomeço, e o
recomeço sabe-se lá quando terá seu fim. Já nós brasileiros estamos
acostumados. É absurdo, claro, mas não é chocante. O Supremo acompanha o passo
habitual do país: nada é urgente.

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