Golpistas usam endereços falsos para se cadastrar em Barra do Quaraí.
Servidores públicos e estagiários da prefeitura também são contemplados.
Fábio
Almeida e Giancarlo Barzi Da
RBS TV Porto Alegre
Uruguaio que recebe Bolsa Família indevidamente
Uma fraude envolvendo o Bolsa Família, do governo
federal, está beneficiando estrangeiros, funcionários públicos e até mesmo
pessoas que já morreram no Rio Grande do Sul. No município de Barra do Quaraí, na fronteira com o Uruguai,
golpistas usam endereços falsos para se cadastrar no programa, inclusive
terrenos onde existem apenas antenas de telefone e caixas d`água, como mostra a
reportagem do ProgramaTeledomingo da RBSTV RS.
Pelo menos 367 famílias do município de cerca de
quatro mil habitantes recebem o auxílio do Bolsa Família, criado exclusivamente
para contemplar pessoas de baixa renda. Pedro Daniel Idiarte é um dos
beneficiados. Saques feitos no nome dele este ano constam no Portal da
Transparência. No entanto, Idiarte reside em Bella Unión, cidade vizinha, no
Uruguai. Em um diálogo gravado com uma microcâmera, ele forneceu seu endereço
correto.
Golpistas usam endereço falso para cadastro no
Bolsa Família (Foto: Reprodução/RBS TV)
Outras seis pessoas que dizem morar em Barra do
Quaraí foram localizadas em Bella Unión
( Uruguai ). Entre elas está Adalberto, que registrou como residência um
terreno baldio. Uma outra casa, que pertence ao pedreiro André Ferreira, é a
campeã no ranking dos endereços falsos. Mais de 30 pessoas afirmam morar no
local. O verdadeiro proprietário, no entanto, se espanta com o esquema. "A
casa está abandonada. Não tem nenhum morador aqui. Agora que estou arrumando
para morar", conta Ferreira.
Três pessoas aparecem como moradores em um terreno
onde existe apenas uma caixa d`água. Conforme documentos fornecidos pelo
Ministério Público, outras quatro dizem morar em um local onde há apenas uma
antena de telefone. "Não tenho conhecimento nenhum que tenha alguém
morando nesse local. Nunca morou ninguém", afirma o aposentado Arlindo
Simionato.
No cemitério de Barra do Quaraí, outra fraude
desvendada. Saques em nome de Márcia Ortiz Dedéco, falecida em março de 2010,
foram realizados até janeiro deste ano, de acordo com o Portal da
Transparência. A irmã de Márcia, Cláudia Ortiz Dedéco, trabalha desde 2004 na
Secretaria de Assistência Social do município, onde são feitos os cadastros
para receber o Bolsa Família. Ela seria uma das responsáveis pelo programa na
cidade, mas não soube explicar por que os valores continuaram sendo pagos à
irmã. Cláudia não quis gravar entrevista.
Na lista do Bolsa Família no município também estão
29 funcionários da prefeitura. Estagiários, auxiliares administrativos e até
pessoas com cargos de chefia fazem parte da relação. É o caso de Eliane
Senoranes, que aparece em documentos oficiais como chefe da seção. "Sou eu
que recebo, eu mesmo. Quando me inscrevi, não trabalhava, era desempregada e
permaneci", justificou a colaboradora.
O vice-prefeito da cidade, Danilo Rodrigues (PT), não vê problema em contemplar
funcionários públicos. "O cidadão
pode estar trabalhando na prefeitura ou numa empresa particular, mas a renda
pode ser divida pelo número de pessoas que residem no domicílio. Se for
inferior a R$ 140, a pessoa tem direito ao benefício do Bolsa Família", argumenta
Rodrigues.
Porém, Eliane recebe um salário de R$ 787,79, tem
uma filha e mora com os pais, donos de um armazém. Mesmo que ninguém mais
trabalhasse na família, e todos dependessem dela, ainda assim a situação não se
encaixaria nas regras do programa.
O vice-prefeito também foi secretário de Assistência
Social de Barra do Quaraí e gestor do Bolsa Família até o ano passado. Ele se
mostrou surpreso e disse não saber nada sobre as suspeitas sobre estrangeiros
recebendo auxílio. "Uruguaios recebendo eu desconheço", afirmou. O
prefeito Iad Sholi (PSB) estava em uma viagem oficial ao Uruguai, conforme
informou a prefeitura.
O esquema já está sendo investigado pelo Ministério
Público e pela Polícia Federal. Para ambos, os problemas no município gaúcho
estão diretamente ligados a fraudes eleitorais. "Uruguaios ganham Bolsa
Família, ganham aposentadoria e, em troca, se inscrevem como eleitores. Na
próxima eleição, dão o voto a quem presta esse favor", defende o promotor
Rodrigo de Oliveira Vieira.
A Polícia Federal quer descobrir quanto dinheiro
público foi gasto com pessoas que não poderiam ser contempladas. "O que
fica identificado é que a fraude está ocorrendo, comprovadamente, trazendo
prejuízo a brasileiros que efetivamente necessitam do benefício, que não têm
como sobreviver", ressalta o delegado André Luiz Epifânio.
O programa Bolsa Família completou dez anos em
outubro. Desde 2003, quando foi criado pelo então presidente da República Luiz
Inácio Lula da Silva, o número de beneficiados passou de um milhão para 14
milhões.
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Coincidência?: 14 milhões vezes duas pessoas, no mínimo, por família, igual a 28 milhões de eleitores.


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