Governo que ficou na promessa
JOSÉ
AGRIPINO MAIA
O
GLOBO - 26/05
A presidente poucos êxitos
tem para mostrar. Basta comparar os compromissos firmados por Dilma com o que
realmente aconteceu.
Na campanha presidencial de
2010, a equipe de marketing do PT apresentava a candidata Dilma Rousseff como
administradora inquestionavelmente consagrada. Sob o comando de Dilma, dizia a
propaganda, o Brasil iria ver grandes obras concluídas, surfar sobre uma onda
de crescimento com juros no chão, contas em ordem, saldo na balança comercial e
inflação baixa. Seria um espetáculo. Acreditou quem quis.
Após quase três anos e meio,
o que podemos perceber é quase fracasso sobre fracasso. A presidente muito
poucos êxitos tem para mostrar. Basta comparar os compromissos firmados por
Dilma com o que realmente aconteceu. A realidade é bem outra e nada favorável.
A presidente tem viajado
pelo Brasil para prometer obras públicas que deveriam ter sido inauguradas há
muito tempo. Alguns exemplos recentes: esteve no interior do Ceará para
vistoriar um trecho da transposição do Rio São Francisco. A previsão de entrega
do empreendimento era para 2010, quando Dilma era ainda chamada de mãe do PAC.
Agora, a promessa é para 2015. Estava previsto um custo de R$ 4,5 bilhões,
agora serão R$ 12,2 bilhões. Foi a Curitiba anunciar, pela terceira vez,
recursos para o metrô que nunca saíram do papel. São muitos os exemplos. É o
governo das ações inacabadas e dos anúncios que não se concretizam.
Na macroeconomia, a promessa
era de um crescimento médio de 5,9% ao ano. O Brasil avança a apenas 2%, o
último entre dez países da América do Sul. O inaceitável é que, por duas
décadas, crescemos à mesma velocidade dos nossos vizinhos de subcontinente. Na
era Dilma, as demais nações mantiveram a aceleração do final da última década
(média de 5%) e nós ficamos para trás.
E a promessa de derrubar os
juros, que, segundo o ministro Mantega, cairiam para 6%? A presidente recebeu a
taxa Selic em 10,75%, hoje está em 11%, e Dilma deve entregar os juros em
patamar superior ao que recebeu de Lula. Temos hoje as maiores taxas do mundo.
E isso tudo para domar a inflação.
Só que aqui essa estratégia
não funciona. Convivemos com uma perigosa e persistente alta de preços. A
inflação média nos três primeiros anos do governo Dilma chegou a 6,08%. No
mundo, no mesmo período, a média foi de 3,3%, e nos países emergentes, que
crescem muito mais do que nós, de 5,4%. E veja que esse resultado só foi
alcançado com o controle de preços administrados, que subiram cerca de 1% no
ano passado, contra 7,5% de aumento nos preços livres. E o mais grave, as
distorções se acumulam de forma temerária, com os ajustes sendo empurrados para
depois das eleições.
Em 2013, a balança comercial
brasileira registrou o pior resultado em 12 anos. O saldo caiu 86% em relação a
2012, para apenas US$ 2,56 bilhões e, mesmo assim, à custa de uma maquiagem do
governo, que exportou via Petrobras US$ 7,7 bilhões em plataformas de petróleo
que nunca saíram do país. No período, o déficit comercial da indústria foi o
maior da história, acumulando US$ 105 bilhões. Este ano, nossa balança já
acumula um déficit de US$ 5,3 bilhões.
Outro compromisso com o país
era o equilíbrio das contas públicas. A economia do governo para pagamento dos
juros da dívida pública, no entanto, caiu continuamente durante o governo
Dilma, fechando 2013 em apenas 1,9% do PIB. Com isso, o déficit nominal
elevou-se de 2,6% do PIB, em 2010, para 3,3%, em 2013. Hoje, a dívida pública
do Brasil chega a R$ 2,08 trilhões e, para administrá-la, gastamos em juros R$
249 bilhões no ano passado. Isso é o que estamos deixando de investir para
fazer do Brasil um país competitivo.
Em suma, assistimos a um
governo sem obras, com baixo crescimento e alta inflação, contas públicas
deterioradas, desequilíbrio na balança comercial e juros incivilizados. Como um
castelo de cartas, caíram as promessas que a presidente exibiria à população
como bandeiras de campanha. Para não citarmos fracassos como o onipresente
escândalo da Petrobras.
As falsas promessas ruíram
por falta de planejamento e incompetência administrativa. Sem perceber
melhorias na qualidade de vida, a população se cansa de tanta inépcia e clama
por mudanças urgentes. A oposição faz o seu papel: fiscaliza, aponta os erros e
apresenta as alternativas. O retrocesso, como se vê, é manter o governo como
está.

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