Amado Boudou é o 1º
vice-presidente interino na história a ser processado.
Ele é apontado em esquema
relacionado com a impressão de papel-moeda.
A Justiça da Argentina abriu
um processo nesta sexta-feira (27) contra o vice-presidente do país, Amado
Boudou, por "corrupção passiva e negociações incompatíveis" com seu
cargo em um caso de corrupção relacionado com a impressão de papel-moeda,
informaram fontes judiciais.
A decisão do juiz federal
Ariel Lijo acontece enquanto Boudou se encontra em Havana, na primeira escala
de uma viagem internacional que foi iniciada na quinta-feira e que deve ser
concluída na próxima semana no Panamá.
O juiz também indiciou José
María Núñez Carmona, sócio de Boudou, e um suposto 'testa de ferro' do
vice-presidente, assim como outros três envolvidos no caso.
Amado Boudou, que ocupou o
Ministério da Economia entre 2009 e 2011, é o primeiro vice-presidente interino
na história da Argentina a ser processado em um caso de corrupção.
A resolução do tribunal
assinala que Boudou e seu sócio "teriam adquirido a empresa quebrada e
monopolista Ciccone Calcográfica, enquanto Boudou era ministro da Economia,
através da empresa The Old Fund e de Alejandro Vandenbroele, com a finalidade de
conseguir contratos com o Estado Nacional para a impressão de papel-moeda e
documentação oficial".
Segundo a mesma resolução,
Boudou, "aproveitando de sua condição de funcionário público", e
Núñez Carmona, teriam feito um acordo com os donos da gráfica Ciccone para a
cessão de 70% da empresa "em troca da realização das ações necessárias
para que a gráfica pudesse voltar a operar e conseguisse contratos com a
Administração Pública".
O juiz ordenou, além disso,
um embargo sobre os bens do vice-presidente no valor de 200 mil pesos (US$ 25
mil), segundo o Centro de Informação Judicial.
Em julho de 2010, um
tribunal comercial declarou a falência da gráfica Ciccone - atualmente
nacionalizada e rebatizada como Compañía de Valores Sudamericana (companhia de
valores sul-americana) - a pedido da Receita Federal da Argentina por dívidas
impositivas.
A Justiça cancelou a
falência três meses depois, por solicitação da própria empresa, após
negociações de um plano de pagamentos com o Ministério da Fazenda, e a empresa
ficou nas mãos da The Old Fund, controlada por Alejandro Vandenbroele, suposto
testa de ferro de Boudou.
O vice-presidente também
terá que prestar depoimento em outro processo sobre a compra ilegal de um
veículo com documentação falsa.
As suspeitas sobre o envolvimento
de Boudou em escândalos de corrupção ofuscou sua carreira política, o que o fez
passar para o segundo plano nos últimos meses.

Nenhum comentário:
Postar um comentário