Líder
do PMDB declara voto em Aécio.
Dilma
"só dá certo na Albânia", diz ele.
SEGUNDA-FEIRA,
18 DE AGOSTO DE 2014 – Folha Poder
Ex-líder do governo Dilma
Rousseff, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) fez críticas à gestão da petista e
declarou voto no candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves. Em palestra em
Roraima para economistas, Jucá disse que votará no tucano porque é o nome com
"um pouco mais de condição de mudar a linha de pensamento que não combina
com o Brasil".
"Na minha avaliação,
temos que mudar o rumo econômico que o Brasil está tomando. A gente tinha duas
opções de voto, o Aécio e o Eduardo. Hoje perdemos uma. Eu não quero
influenciar ninguém, mas vou declarar o meu. Vou votar no Aécio", afirmou.
Apesar de integrar o partido de Michel Temer (PMDB), candidato a vice na chapa
de Dilma, Jucá disse que o governo do PT "falha ao pender para a linha
ideológica" e adota um modelo econômico que dá certo na "Albânia e no
Cazaquistão", mas não no Brasil.
"A Dilma tem um
discurso socialista e a prática dela é socialista. Você tem um governo
ideológico na forma de comandar a economia. Ideologia, centralização,
estatização, não combina com capitalismo. Isso dá certo na Albânia, Cazaquistão
e alguns lugares onde a visão é outra. No caso do Brasil, nós temos que ter
estabilidade e uma boa perspectiva", afirmou. Convidado a falar sobre
política e economia, Jucá fez as críticas durante palestra no Conselho Regional
dos Economistas de Roraima. A palestra ocorreu na semana passada, no dia da
morte de Eduardo Campos (13). O conselho gravou o áudio do encontro, que foi
divulgado pelo site "Rede Brasil Atual".
Por meio de sua assessoria,
Jucá confirmou o que disse na palestra, mas afirmou que não comentaria suas
declarações. Na palestra, Jucá disse que, como economista, não votará no
governo Dilma Rousseff por discordar das ações de sua área econômica. O
peemedebista chegou a falar em "tarifaço" que ocorrerá no país se a
petista for eleita em outubro.
"Estamos vivendo um
momento de grande dificuldades e definições. Eu fui líder do Fernando Henrique,
do Lula e do começo do governo da Dilma. Mas sou economista. E vou dizer a
vocês com muita sinceridade: do jeito que o governo está tocando a economia, eu
não voto no PT. O Brasil não aguenta quatro anos do jeito que os caras estão
levando."
O peemedebista disse que o
governo Lula foi diferente do de Dilma porque o petista fazia um discurso social,
mas tomava medidas capitalistas, enquanto a presidente mantém a linha
socialista. Também criticou alianças do governo com países como Venezuela e
Argentina, além do modelo legislativo adotado pelo Palácio do Planalto. Jucá
disse estar "cansado" de pegar leis do Executivo e "ter que
mudar tudo".
"É pouca gente ali [no
Congresso] que sabe o que está fazendo. Normalmente, as pessoas votam ali sem
saber. Quando você chega na Câmara então, é uma loucura", criticou. Além
de ter sido líder de Dilma até 2012, Jucá também foi líder no Senado de parte
do governo Lula e na gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O senador
também é relator do Orçamento da União de 2015, peça considerada vital para o
futuro presidente do país.
ATAQUES
As críticas de Jucá são
reproduzidas, nos bastidores, por uma ala do PMDB insatisfeita com Dilma. Parte
do PMDB considera que a presidente não dialoga com o Congresso e impõe medidas
econômicas contrárias ao que defende a sigla. Em junho, o partido aprovou o
apoio à reeleição de Dilma com críticas ao PT e ao governo. Foram 398 votos
pela manutenção da aliança (59%) contra 275 (41%) da ala que defendia o
rompimento. Em 2010, o apoio peemedebista à chapa de Dilma havia sido aprovado
por 85% dos convencionais.
A ala contrária a Dilma
chegou a discursar contra a aliança e a distribuir panfletos em que acusa o
governo de ineficiência e corrupção. Maior aliado do PT na coalizão dilmista, o
PMDB possui cinco ministérios, mas reclama constantemente que seu espaço é
pequeno e que não tem autonomia total nas pastas sob sua
responsabilidade.
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