MARINA
E DILMA SÃO BRAÇOS DO MESMO CORPO
por
Percival Puggina. Artigo publicado em 25.08.2014
Como cidadão que acompanha o movimento na
esquina desta eleição, permitam-me enviar um conselho ao candidato Aécio Neves.
Meu caro Aécio, ou você faz como era usual na minha Santana do Livramento dos
anos 50 e dá um risco com o pé no chão, estabelecendo os limites do seu campo
político, definindo qual é o seu lado e o que ele significa, ou vai beber água
suja nessa eleição. O senhor enfrenta neste pleito duas adversárias com
posições radicais e elas não podem ser enfrentadas com luvas de pelica e punhos
de renda, como já disse alguém.
O programa de governo
assumido por dona Marina Silva tratou de deixar claro que também é favorável à
ideia contida no "decreto dos sovietes", ou seja, que irá amarrar as
decisões políticas e a gestão pública aos pareceres dos movimentos sociais.
Alguns se surpreenderam com isso. No entanto, a candidata do PSB entrou na
disputa riscando o chão, explicitando o seu quadrado. E por isso, crescendo. O
PSDB de Aécio Neves tem, no próprio programa que é favorável ao parlamentarismo,
muito mais a dizer sobre mudanças institucionais. Tem muito maior contribuição
a oferecer para sustar a marcha da democracia brasileira para os braços de um
projeto totalitário.
Ao assumir compromisso
programático com os conselhos populares, assim como ao negar contato com o PSDB
em São Paulo, Marina Silva deixa claro que ela e Dilma têm um inimigo comum. Ou
seja, têm um inimigo que está acima das atuais diferenças de projeto político.
Por quê? Porque ambas vão na mesma direção. Ou esquecemos o jogo pesado de
Dilma para implantar o seu projeto de Código Florestal? O verde de Marina e de
Dilma é vermelho por dentro.
A democracia popular, que
está na base filosófica do projeto dos sovietes, se distingue da
"democracia burguesa" ou liberal, deu nome a várias repúblicas
comunistas da Ásia e do Leste Europeu antes do desfazimento da URSS. A partir
da observação histórica, democracia popular sempre equivaleu a "ditadura
do proletariado". E ditadura do proletariado sempre foi pura e refinada
ditadura das elites partidárias.
Não há, portanto, ilusões
com as quais nos iludirmos. Marina e Dilma são galhos da mesma árvore, braços
do mesmo corpo político. E se Aécio Neves persistir na conversa mole do
melhorar o que está bem, ainda que acresça um "mudar o que está mal",
verá o imenso contingente de eleitores liberais e conservadores bandearem-se em
desalento para um dentre dois males. Se é que isso já não aconteceu.
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