Marina, mostra a sua cara
LUIZ
FERNANDO VIANNA
FOLHA
DE SP - 29/08
Não se espera nem se deseja
que Marina Silva desfaça o coque, mas está na hora de ela mostrar a cara.
Na última eleição
presidencial, sabia-se que não disputava para vencer. Queria tornar mais
conhecida sua bela história de vida e ganhar musculatura para 2014.
Assim, no papel de criança a
quem tudo se permite, teve a complacência de intelectuais, artistas, políticos
de esquerda.
Parecendo incomodados em
confrontar um Chico Mendes de saias compridas, jogaram para baixo do tapete
causas que devem, no mínimo, ser debatidas por quem ainda sonha com a chegada
do Brasil ao século 21.
Marina é contra o direito das
mulheres ao aborto? Ah, tudo bem. Não apoia o casamento entre pessoas do mesmo
sexo? Não tem problema. Não quer falar sobre legalização da maconha? Deixa
quieta. É contra a pesquisa com células-tronco? O tema é complicado mesmo.
No Rio de Janeiro, sempre
seduzido por novidades, ficou com 31,52% dos votos. No país todo, 19,33%, um
capital de 19.636.359 votos.
Pela via trágica, ressurgiu
candidata há menos de um mês e já se encontra, diz a imprensa, à beira do
favoritismo. Portanto, deve ser tratada como gente grande.
Está num partido do qual não
gosta e que não gosta dela. Voluntarista, indica que, estando em linha direta
com Deus e com os eleitores, poderá esnobar o balcão de negócios que é a
política brasileira.
Verde de raiz, tem como vice
um militante do agronegócio. De passado inequivocamente democrata, não tolera o
contraditório, como mostrou nas respostas impacientes ao "Jornal
Nacional". Fala em mudanças, mas não transige em posições que reforçam o
pior conservadorismo, aquele que quer controlar a mais privada das esferas, que
é o uso do próprio corpo.
Marina e seus eleitores
precisam sair das sombras.
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