Situação de Graça Foster é insustentável
Graça Foster e Dilma
Coluna
na Veja
Rodrigo
Constantino
Análises
de um liberal sem medo da polêmica
Há certas coisas que nos
forçam a constatar que o Brasil ainda não é um país sério. Em qualquer lugar do
mundo a presidente de uma empresa como a Petrobras, mergulhada num mar de lama
com infindáveis escândalos de corrupção, já teria caído faz tempo. No Japão,
teria vergonha de sair na rua, e talvez até colocasse um fim na própria vida
para evitar a humilhação. No Brasil, ela dá entrevistas confessando saber da
propina holandesa há meses, e fica por isso mesmo. Disse Graça Foster:
“Passadas algumas
semanas, alguns meses [da investigação interna da Petrobras], eu fui informada
de que havia, sim, pagamentos de propina para empregado ou ex-empregado de
Petrobras. Imediatamente, e imediatamente é “imediatamente”, é que informamos a
SBM de que ela não participaria de licitação conosco enquanto não fosse
identificada a origem, o nome de pessoas que estão se deixando subornar na
Petrobras. E é isso que aconteceu, tivemos uma licitação recente, para
plataformas nos campos de Libra e Tartaruga Verde, e a SBM não participou”.
E diz isso assim, na maior
normalidade, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Então ela sabia da
propina, algo que não confessou antes, mas sua única medida tomada foi tirar a
empresa das novas licitações? Só isso? Por que as “investigações” internas que
não deixariam “pedra sobre pedra” não trouxeram à tona os nomes dos corruptos
dentro da empresa?
Foster insiste, ainda, que
não há nada “avassalador” nesses casos divulgados pela imprensa e expostos pelo
trabalho independente do Ministério Público e da Polícia Federal. Como é? Nada
“avassalador”? O que seria avassalador então? Afinal, um subalterno de Renato
Duque, o homem do PT na diretoria da estatal, disse que vai devolver US$ 100
milhões. Um subordinado do diretor ligado ao PT! Um simples gerente! Sozinho,
cem milhões de dólares!
Imagina o que significa
“avassalador” na cabeça de Graça Foster. Talvez o padrão PT de corrupção tenha
mexido com seus conceitos, e ela pense que cem milhões de dólares são troco.
Talvez ela ache que desvios bilionários na empresa que pertence ao povo
brasileiro sejam algo aceitável, um pequeno contratempo a ser superado sem
maiores dificuldades.
É uma situação completamente
insustentável. Só no Brasil mesmo alguém como Graça Foster continua no comando
da maior empresa do país depois de tudo o que já emergiu do pântano, e que não
sabemos se esgota ou não a podridão montada pela quadrilha incrustada na
Petrobras. A permanência de Foster como CEO da empresa é a triste evidência de
que ainda precisamos evoluir muito para sermos um país levado minimamente a
sério…

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