Falta agora nomear os políticos que sustentaram o esquema de desvio do dinheiro público
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Quem é o inimigo?
MARCELO
AGNER
CORREIO
BRAZILIENSE - 04/01
O tom eleitoral do discurso
de posse da presidente Dilma em seu segundo mandato reciclou promessas da
campanha e repetiu a necessidade de o país priorizar a educação - um lugar
comum entre os políticos e que raramente termina em ações efetivas -, desta vez
com um slogan confuso: "Brasil, pátria educadora". Mas o ponto alto
do palanque do 1º de janeiro foi a defesa enérgica do combate à corrupção na
Petrobras.
Dilma prometeu proteger a
estatal dos "inimigos externos e dos predadores internos". Mas a
presidente deliberadamente não disse quem são essas pessoas. A frase de efeito,
típica dos marqueteiros eleitorais, tenta induzir os brasileiros a acreditarem
que a crise na estatal é uma ação organizada para destruir um patrimônio do
país. E, ao deixar dúvidas sobre a identidade dos malfeitores, busca afastar do
governo qualquer tipo de responsabilidade.
A Petrobras sangra hoje por
obra de conhecidos ladrões do dinheiro público, nomeados e mantidos nos cargos
pela direção da própria empresa, com o suporte político de vários partidos,
entre eles o PT. Muitas irregularidades foram cometidas em outros governos, não
há dúvida. Mas há a certeza de que a apoteose da corrupção ocorreu nas últimas
administrações da empresa.
Ao ser imprecisa na
definição dos "inimigos e dos predadores", Dilma dá um passo atrás no
combate aos malfeitos. Para salvar a Petrobras, a presidente não precisa de
frases de efeito. Ela tem que agir. Muitos corruptos e corruptores estão presos
ou já foram denunciados e processados.
Falta agora nomear os políticos que
sustentaram o esquema de desvio do dinheiro público, seja recebendo as
propinas, seja mantendo os ladrões em cargos estratégicos na Petrobras. E a
maioria deles ainda vive à sombra do Planalto. Dilma sabe disso.

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