Futebol alarga a vala comum de fracassos
EDITORIAL
CORREIO BRAZILIENSE
CORREIO
BRAZILIENSE - 10/07
A maior derrota da Seleção
Canarinho na história da Copa do Mundo, jogando em casa, é o reflexo do país de
hoje. A decepção é que o futebol, até a vergonhosa goleada por 7 x 1 para a
Alemanha (com o consequente adiamento do sonho do hexa), ainda era visto como
referencial brasileiro de excelência. Mas nem o esporte que atravessou um
século no pódio de um dos maiores orgulhos nacionais se sustenta mais. Caiu na
vala comum das tantas desonras com que o cidadão é obrigado a deparar-se dia a
dia.
E as razões não são
diferentes. A falta de planejamento, a desorganização, o improviso, o
descompromisso espalham-se como ervas daninhas. Projetos, quando existentes,
carecem de consistência e de execução eficaz. Transparência é outra qualidade
ausente. Previdência, mais uma. Tanto que calamidades anunciadas são apostas
certas, e fracassos já não surpreendem, a não ser, como no caso do tsunami
alemão no Estádio do Mineirão, pela monumentalidade.
Bastaram dois lances na
partida anterior, contra a Colômbia - a lesão sofrida por Neymar numa vértebra
lombar e a suspensão do capitão Thiago Silva, por receber o segundo cartão
amarelo -, para o Brasil se ver perdido num Mundial anunciado como a Copa das
Copas. Em vez de os nomes dos substitutos, pela frequência dos treinos e testes,
se imporem de imediato no consciente coletivo nacional, especulações de toda
ordem é que vieram à tona.
A improvisação ficou mais
evidente quando, na Granja Comary, a luxuosa sede reservada pela Confederação
Brasileira de Futebol (CBF) aos treinos da Seleção, parecia-se aguardar os ecos
do debate nacional para uma tomada de decisão. O técnico Luiz Felipe Scolari
chegou a reunir-se com jornalistas amigos para ouvir conselhos. E só instantes
antes do início do desastre apelidado de "mineirazo" - numa alusão ao
"maracanazo" de 1950, quando perdemos a Copa para o Uruguai em pleno
Maracanã -, soube-se, enfim, quem entraria em campo.
Não se discute se a escolha
foi certa ou errada. Não se culpa um jogador ou outro pela desilusão. Tampouco
se pode apontar unicamente para o treinador. Futebol é esporte coletivo. A
equipe ganha, a equipe perde. E a realidade é clara. Embora vitoriosa até então
- inclusive com a conquista da Copa das Confederações, no ano passado -, a
Seleção havia chegado até ali com dificuldades, como se viu contra o México, o
Chile e a Colômbia. Não convencera, não passara a necessária confiança.
O improvável 7 x 1 aconteceu
porque os germânicos se apresentaram com bem mais do que talentos individuais.
A nós, resta reagir rápido, inclusive superando o abatimento moral, para
conquistar o terceiro lugar no sábado. Quem sabe a reação não animará mudança
mais ampla, capaz de nos resgatar dos piores lugares dos rankings
internacionais de educação, competitividade, infraestrutura, expansão econômica
e por aí afora?
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