O teatro da política
MARCELO
MADUREIRA
O
Casseta
Política é teatro: tem
drama, tem comédia (de erros), vários canastrões em cena e, pior, muitas vezes
acaba em tragédia. Política tem pathos, conflito. Na maior parte das vezes,
conflitos de interesses, quando deveria ser de ideias.
Nós, o populacho, somos a
plateia: assistimos, torcemos, procuramos nos identificar com algum personagem
e, principalmente, torcemos pelo retorno do “herói”, que vem para nos redimir.
Não me canso de dizer que a
grande “contribuição” dos governos do PT ao Brasil foi consolidar na sociedade o descrédito na
atividade política. Por isso mesmo, os eleitores não se mostravam muito
motivados com as eleições de outubro próximo. O espetáculo estava chato. Um
fracasso de público e de crítica. Espectadores entediados abandonavam a sala de
espetáculo em busca de algo mais interessante para fazer.
Mas eis que surge o
inesperado. Tal e qual um Deus Ex-Machina, o jato tenta um pouso, arremete e,
qual um bólido, despedaça a candidatura de Eduardo Campos, propondo uma virada
radical no enredo eleitoral.
Marina Silva, com todas as
suas particularidades e idiossincrasias, vem à boca de cena para ocupar o papel
de protagonista na trama. Marina é um personagem interessante. De origem muito
humilde, educou-se, estudou, lutou muito e tem um ar de madona renascentista,
sem deixar de ser cabocla. Marina é uma espécie de Madre Teresa de Calcutá,
acriana, difícil não despertar a simpatia de uma boa parte do eleitorado.
Confesso que admiro muito a pessoa Marina e, apesar de discordar de boa parte
de suas posições políticas, acredito que sua candidatura só engrandece a
disputa eleitoral.
As primeiras pesquisas
indicam um ponto positivo em toda esta tragédia. O resgate de milhões de
eleitores que não pretendiam votar ou votariam em branco ou, ainda pior,
votariam nulo. Os fatos reaproximaram os eleitores do teatro político e isso é
bom.
Um dos aspectos positivos da
democracia são as eleições. Não pela simples disputa de quem perde e de quem
ganha, mas pelo debate político que uma eleição enseja.
O processo eleitoral
desperta a conversa política entre a população: entre amigos, parentes, colegas
de trabalho, na fila do banco e na sala de espera do hospital. As eleições
estimulam o debate, o confronto de pontos de vista, elevando o nível de
politização da sociedade e, independente do resultado das urnas, a democracia
sai fortalecida.
Neste sentido, o trágico
sacrifício de Eduardo Campos não terá sido em vão.
E tenho dito.
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