A elite estatal e seus reféns
CLEBER
BENVEGNÚ
ZERO
HORA - 06/11
A mais perversa das elites é
a elite estatal. Ela quer que você compre um carro e diga: “Obrigado, governo.
Como você é bondoso!”. Faça uma faculdade e diga: “Obrigado, governo. Eu te
devo essa!”. Suba na vida e diga: “Obrigado, governo. Eu não seria nada sem
você!”. Ela sequestra seu pensamento e inverte a lógica da vida social, fazendo
parecer que você serve ao governo _ e não o contrário.
O protagonismo das pessoas é
substituído pelo protagonismo do aparato estatal. Embalada no glamour da luta
de classes, essa elite se apresenta como monopolista da justiça. Como se o
dinheiro dos impostos, que subsidiam absolutamente todos os beneplácitos
estatais, não viesse da própria sociedade. Como se o Estado, ele mesmo, gerasse
riqueza e desenvolvimento.
A história é repleta de
exemplos de elite estatal, à direita e à esquerda _ na América Latina,
recentemente, esse último exemplo é mais vasto. Mistura supremacia coronelista
com populismo assistencialista. Discursa para um lado e, com os seus, age para
o outro. Enriquece nas barbas do poder. E legitima tudo em nome de um fim
supostamente elevado.
É uma elite que verbaliza
amor aos pobres, desde que estejam a seu serviço. Que prega integração dos
negros, desde que julguem conforme seus interesses, sem trair a “causa”. Que
quer conciliação, desde que ganhe as eleições. Que defende liberdade de
imprensa, desde que os critérios disso sejam definidos por seus conselhos.
A elite estatal quer fazer
crer que ela é o próprio bem. Quer substituir-se à ética universal. Quer que você
se sinta em débito, creditando-a como um instrumento de solidariedade. Quer
posicionar-se como indispensável até mesmo no ambiente privado. Se deixar, quer
até mesmo dizer como você deve educar seus filhos. Quer que você devolva algo
que simplesmente é seu, por direito natural e constitucional.
Não deixe que ninguém roube
seus méritos e seu protagonismo. Nenhum partido é dono do seu destino. Nenhum.
Quem faz acontecer são as pessoas, não o governo. Libertar-se dessa culpa
social é um passo importante para evoluir. É o antídoto para evitar uma nação
politicamente amorfa e culturalmente refém.
Nenhum comentário:
Postar um comentário