O PT E MACUNAÍMA
MARCOS
ROLIM - Ex Deputado do PT
ZERO
HORA
14
de fevereiro de 2015
David Coimbra escreveu em
sua coluna que o “PT está morto”. Penso que o óbito de fato ocorreu, embora o
tenha por fato transcorrido há mais tempo. Não me refiro à circunstância de
integrantes do partido terem se envolvido em atos de corrupção, porque se isso
implicasse no falecimento não haveria instituição no Brasil. No que tange à
corrupção, inaceitável é a reação do partido que oscila entre a leniência e a
máxima ademarista do “rouba, mas faz”. O titular desta postura invertebrada,
que faz lembrar a personagem Macunaíma de Mário de Andrade, é o ex-presidente
Lula. Foi ele quem, sob o impacto da primeira denúncia do mensalão, se disse
“traído” para, anos depois, afirmar que tudo havia sido uma “invenção”.
Agora,
no escândalo da Petrobras, novamente, ao invés da indignação diante de uma
roubalheira cujas cifras extrapolam a imaginação dos mortais, o que temos é a
produção de um discurso solerte, direcionado à mentes cansadas, que sugere uma
“armação” da direita e da mídia contra o PT. A morte do partido que já encarnou
o sonho de dignidade e justiça no Brasil é atestada por este discurso e pela
ausência de qualquer movimento sério no sentido de expurgar da legenda a máfia
que nela se abrigou. Estamos diante de uma tristeza e de uma derrota de
proporções históricas construída meticulosamente pelo pragmatismo desvairado,
por pequenas vilanias cotidianas e pelo abandono da coragem cívica.
O PT virou um partido
vocacionado ao oportunismo, um espaço onde irão florescer nulidades como o
governador da Bahia, Rui Costa, que, diante de uma chacina de 12 jovens negros,
torturados, com braços quebrados, olhos afundados e tiros na nuca, declara que,
no momento do disparo de sua arma, o policial é como “o centroavante diante do
gol”. Pode uma coisa dessas? E o que os petistas dizem diante de algo assim?
Nada. Porque nada têm a dizer sobre qualquer coisa de importante há muito
tempo, porque abdicaram de disputar ideias e projetos, porque a máquina
partidária se transformou em um moedor de carne que espanta a independência, a inteligência
e a dignidade. Claro que há pessoas no PT que ainda se indignam e até mesmo se
envergonham. Para elas, há a esperança de que algo possa mudar e que o PT seja
capaz de se renovar moralmente. É uma pena dizê-lo, mas não há um só indício
que suporte tal pretensão.

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