Bondade com o dinheiro alheio
ELIANE
CANTANHÊDE
O
Estado de S. Paulo - 25/03
Depois de furado o esquema
gigantesco da Petrobrás, era apenas questão de tempo para começarem a estourar
os tumores de outras estatais. Era cutucar e aparecer. O Estado chegou antes e
temos aí os Correios, para confirmar a expectativa. Não foi o primeiro,
certamente não será o último.
Fala sério: investir em
títulos da Venezuela?! Isso não pode ser verdade. Mais do que uma aplicação de
altíssimo risco, com o governo Nicolás Maduro desabando, é também uma operação
suspeita e confirma o que todo brasileiro sabe, ou tinha obrigação de saber, a
esta altura do campeonato: o modus operandi da era PT.
Além da má administração,
impera a confusão entre Estado e governo e entre governo e partido. Dá nessas
coisas. A maior empresa do País foi fatiada e dilapidada em mais de R$ 1
bilhão, a querida e popular instituição dos Correios foi chamada a financiar
ditaduras destrambelhadas, o programa Mais Médicos foi maquiado para disfarçar
uma mãozinha milionária para os "cumpanheiro" cubanos.
A Operação Lava Jato expôs
dirigentes partidários, parlamentares, ex-ministros, diretores, doleiros e
executivos das grandes empreiteiras - com o tesoureiro do PT, João Vaccari
Neto, no meio do furacão. E todos eles expuseram o Brasil à vergonha
internacional e a processos judiciais preocupantes nos Estados Unidos. Sabe-se
lá quanto tempo a Petrobrás levará para se recuperar financeiramente. Pior:
quanto tempo levará para resgatar a credibilidade e a autoestima.
E os Correios gastaram a seu
bel prazer, principalmente no ano eleitoral de 2014, e serão julgados pelo
Tribunal de Contas da União (TCU) por ações irregulares pró-Dilma durante a
campanha à reeleição. Agora, com um rombo de bilhões de reais, o que fazem seus
chefões? Mandam a conta para os funcionários.
Conforme a reportagem do
Estado, o Postalis, fundo de pensão dos Correios, espetou um extra de 26% sobre
os ganhos de empregados, aposentados e pensionistas para cobrir um rombo que
foi criado pela incompetência, pelo partidarismo e pela ideologia. Como Robin
Hood ao contrário, os Correios tiram dos trabalhadores para dar aos patrões e
candidatos.
E a história de Cuba? O Mais
Médicos faz sentido, porque há municípios sem nenhum atendimento. E trazer
generalistas cubanos também faz sentido, porque eles são especialistas em
prevenção básica justamente em áreas carentes e não atendidas. Mas uma gravação
obtida pela TV Bandeirantes mostra que o objetivo real não era nem uma coisa
nem outra. Era despejar um bom dinheiro no regime dos irmãos Castro. Os médicos
de outras nacionalidades só serviram para dourar a pílula.
Como resultado, temos que o
Ministério da Saúde financia Cuba, os Correios dão uma forcinha ora para a
Venezuela, ora para a campanha de reeleição da presidente, e a Petrobrás
financia PT, PP e PMDB antes, durante e depois de eleições, para eternizar um
projeto de poder.
Tem muita investigação,
muito inquérito, muitos réus, muita gente presa, mas, no frigir dos ovos,
adivinha quem paga essa conta? Você!
Juiz. A Polícia Federal não
tem dúvida de que o juiz Flávio Roberto de Souza está armando tudo para se
passar por maluco e sair dessa afastado das funções, mas com uma gorda
aposentadoria vitalícia e com uma bolada extra no bolso (ou em paraísos
fiscais).
Nada faz sentido: chegar no
Porsche de Eike Batista em pleno fórum? Já com os fotógrafos a postos? Levar
piano para a casa do vizinho? Depois de tudo isso falar em budismo, carma e
"repousar a mente"? Isso não é coisa de louco, é coisa de gente muito
viva.
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