O PETISMO E O CÓDIGO INTERNACIONAL DE DOENÇAS
por
Percival Puggina.
Artigo
publicado em 18.11.2014
Em sessão com clima de
anúncio relevante, a presidente da Petrobras Graça Forster montou no cavalo
encilhado dos escândalos e assumiu seu lugar à mesa dos trabalhos com
fisionomia de atendente de UTI de Pronto Socorro, em final de turno, numa
segunda de Carnaval. Do cabelo à ponta do nariz, tudo que podia desabar tinha
desabado. Afinal, as horas antecedentes não haviam sido moleza. Todos os
grandes senhores das empreiteiras nacionais, que eram recebidos com tapete
vermelho nos gabinetes da empresa, estavam dormindo no chão do xadrez. Delações
premiadas espocavam de toda parte e lembravam extrações da Loteria Federal. Às
avessas. Milhões regurgitavam de todos os cantos.
Os sólidos muros da
impunidade tombavam pelo simples fato de que ainda há juízes em Curitiba e lá
está o celebérrimo magistrado federal Sérgio Moro, a quem a capital paranaense
já deve uma estátua no meio da Praça Carlos Gomes.
A presidente da empresa iria
anunciar providências. Eram necessárias. Dois dias antes, o ministro da
Justiça, José Eduardo Cardozo, chamado às falas, mostrou porque o antipetismo é
tão indispensável ao país. Estas investigações, havia dito ele, não podem ser
vistas "como o 3º turno da eleição presidencial". Chegará o dia em
que esse petismo desabrido vai entrar para o CID-10 (Código Internacional das
Doenças).
Voltando à Graça e aos
perigos do petismo delirante. Qual o anúncio feito por aquela senhora de quem
já se disse ser tão competente e familiarizada com a empresa que conhece como
ninguém? Ela anunciou a criação de uma diretoria para fiscalizar as diretorias.
Não é genial? É algo assim como uma presidência para fiscalizar a presidência.
Pelo que se sabe, ninguém ainda foi cogitado e, principalmente, claro, não há
partidos interessados.
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