Exclusivo:
ministro venezuelano que veio armado ao Brasil "importa" jovens para
aulas de "revolução"
Por Claudio Tognolli | Claudio Tognolli – qui, 6 de nov de
2014
·
Elías Jaua em foto de arquivo da
Reuters
Este blog há uma semana noticiou com exclusividade que Elías Jaua,
vice-presidente setorial do Desenvolvimento do Socialismo Territorial da
Venezuela e titular do Ministério das Comunas, esteve aqui para treinar os
militantes do MST.
Trouxemos também a carta que ele foi obrigado a escrever, pedindo desculpas por ter plantado
seu revólver em sua babá, para poder invadir o Brasil armado, e
assim, quem sabe, dar aulas de tiro ao alvo para o MST:
A mídia reverbera nosso furo uma semana depois informando hoje que o
ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, chamou na
quarta-feira o encarregado de negócios da Venezuela, Reinaldo Segóvia, para
manifestar a insatisfação do governo brasileiro com as atividades do
vice-presidente e ministro para o Poder Popular das Comunas e Desenvolvimento
Social, Elías Jaua, no Brasil.
Figueiredo afirmou a Segóvia que o governo brasileiro viu com
“estranheza” o fato de Jaua ter vindo ao país sem informar e ter tido uma
agenda de trabalho, inclusive com assinatura de acordos, e que isso poderia
significar uma “interferência nos assuntos internos do país”. Figueiredo cobrou
explicações do governo venezuelano.
De acordo com o ministro, o diplomata foi informado de que o Brasil
considera que “o fato não se coaduna com o excelente nível das relações entre
os dois países”. A decisão de chamar o representante diplomático da Venezuela -
o embaixador está viajando - foi conversada com a presidente Dilma Rousseff depois
de ter virado notícia o fato de Jaua ter usado seu tempo no Brasil, em que
teoricamente estaria acompanhando a mulher em um tratamento médico, para assinar um convênio com o
Movimento Sem Terra (MST), além de outras ações relativas a seu cargo de
ministro.
Na Venezuela, a ação do ministro não se atém somente a um discurso
'bolivarianista'. Uma comunidade sugestivamente chamada "Brasil", no
estado de Sucre, a ação doutrinária é mais formal. É possível notar o discurso
anti-imperialismo farsesco do ministro até nos textos do site do
ministério.
“As Brigadas Populares de Comunicação são grupos de crianças e
adolescentes que estão aqui com o objetivo de transmitir, através de vários
meios, as conquistas de progresso na criança e adolescente revolucionários, bem
treinados como futuros jornalistas para servir o país…Com a participação de 26
crianças e adolescentes da comunidade do Brasil, no estado de Sucre, e durante
uma semana, as Brigadas Populares de Comunicação, que terão entre suas funções
a transmitir todos os avanços relacionados a instalar a ideia da revolução
bolivariana”.
A retórica de formatação da verdade do governo
"bolivarianista" não se limita à ação estatal sobre as comunidades
venezuelanas. Estudantes brasileiros também fazem parte do escopo
"bolivarianista" sendo levados às comunidades, para aprender sobre "o
ocultamento que os meios de comunicação fazem" e "valores
bolivarianos". Quanto essas integrações
"educacionais" chavistas trazem de benefícios aos estudantes
brasileiros ou aos contribuintes que bancam essas viagens resta sendo uma
incógnita.
N. do E.: texto
corrigido em 7/11/2014

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