O general de Exército da
ativa, Sérgio Etchegoyen (FOTO), chefe do Departamento Geral do Pessoal, assina
nota, em conjunto com a sua família, repudiando o relatório divulgado nessa
quarta-feira, 10, pela Comissão Nacional da Verdade e classificando seu trabalho
como "leviano". No documento, obtido com exclusividade pelo Estado, a
Comissão responsabilizou o pai do atual chefe do DGP, o general Leo Guedes
Etchegoyen, e outros 376 civis e militares, por violações de diretos humanos
durante o governo militar, sem apontar os fatos que teriam levado às acusações.
"Ao apresentar seu
nome, acompanhado de apenas três das muitas funções que desempenhou a serviço
do Brasil, sem qualquer vinculação a fatos ou vítimas, os integrantes da CNV
deixaram clara a natureza leviana de suas investigações e explicitaram o
propósito de seu trabalho, qual seja o de puramente denegrir", diz a nota.
"Ao investirem contra um cidadão já falecido, sem qualquer possibilidade
de defesa, instituíram a covardia como norma e a perversidade como técnica
acusatória", prossegue a nota, acrescentando que, "no seu patético
esforço para reescrever a história, a CNV apontou um culpado para um crime que
não identifica, sem qualquer respeito aos princípios constitucionais do
contraditório e da ampla defesa". A família estuda formas de entrar na
Justiça contra o relatório da comissão.
Esta é a primeira
manifestação de um general da ativa, que integra ao Alto Comando do Exército, a
condenar a conduta da Comissão Nacional da Verdade. O Comandante do Exército,
general Enzo Peri, foi comunicado pelo general Etchegoyen da decisão da família
de responder às acusações. Oficiais da ativa não costumam se pronunciar em
relação a questões políticas, por conta de restrições impostas pelo Regulamento
Disciplinar do Exército, deixando este papel, normalmente para os militares da
reserva.
Desta vez, no entanto, o
repúdio, do general veio em forma de uma nota de desabafo, de uma família que
se considera atingida pela comissão, o que é, no mínimo, inédito. Oficiais consultados
pelo Estado consideraram "legítima" a forma usada pelo general
Etchegoyen e há preocupação de que outras manifestações aconteçam.
O general Etchegoyen já
esteve envolvido em outro episódio em defesa do pai, que lhe custou 15 dias de
prisão, em outubro de 1983, quando era capitão subcomandante do 3º Esquadrão de
Cavalaria Mecanizada, localizado em Brasília. O então capitão de 31 anos reagiu
às acusações à época comandante Militar do Planalto, general Newton Cruz, que
convocou uma reunião com todos os cerca de 200 oficiais da área para atacar o
funcionamento do Congresso e classificar como "incompetente",
"frustrado" e "mau caráter" quem comparecesse às Comissões
Parlamentares de Inquérito (CPIs) da Câmara ou do Senado para prestar de
depoimentos.
Na época, o Congresso
noticiara que convocaria o então general da reserva Leo Etchegoyen, pai do hoje
chefe do DGP, para depor sobre a possibilidade de serem devassadas contas
bancárias sigilosas de brasileiros em bancos da Suíça, que Leo Etchegoyen, quando
era adido militar na Suíça, constatou que era possível, desde que o governo
brasileiro solicitasse a providência. Só que o pedido nunca chegou.
Diante das críticas
indiretas ao seu pai, o então capitão Etchegoyen, interrompeu a palestra do
todo poderoso general Newton Cruz, avisando que entre os que iriam depor estava
seu pai. O general Newton Cruz disse que não sabia e foi contestado mais uma
vez pelo capitão que lembrou que não tinha como ele não saber porque aquilo
estava sendo amplamente noticiado e afirmou que não admitia que a honra e a
dignidade de seu pai fossem atacadas. Recebeu voz de prisão de oito dias,
ampliada em mais sete, depois, por ter recorrido contra a punição. (Estadão)
A íntegra da carta da
família Etchegoyen, contra a Comissão Nacional da Verdade:
A comissão nacional da
verdade (CNV) divulgou ontem seu relatório final, onde relaciona 377 nomes sob
a qualificação de "autores de graves violações de direitos humanos".
Nela consta o nome de Leo Guedes Etchegoyen.
Sobre o fato, nós, viúva e
filhos, manifestamos a nossa opinião.
Jamais fomos contatados por
qualquer integrante ou representante daquela comissão, nem o Exército recebeu
qualquer solicitação de informações ou documentos acerca de Leo G. Etchegoyen.
Ao apresentar seu nome, acompanhado de apenas três das muitas funções que
desempenhou a serviço do Brasil, sem qualquer vinculação a fatos ou vítimas, os
integrantes da CNV deixaram clara a natureza leviana de suas investigações e
explicitaram o propósito de seu trabalho, qual seja o de puramente denegrir.
Ao investirem contra um
cidadão já falecido, sem qualquer possibilidade de defesa, instituíram a
covardia como norma e a perversidade como técnica acusatória. No seu patético
esforço para reescrever a história, a CNV apontou um culpado para um crime que
não identifica, sem qualquer respeito aos princípios constitucionais do
contraditório e da ampla defesa.
Leo Guedes Etchegoyen
representa a segunda geração de uma família de generais que serve o Brasil, com
retidão e patriotismo, há 96 anos. Seguiremos defendendo sua honrada memória e
responsabilizando os levianos que a atacarem.
Porto
Alegre, RS , 11 de dezembro de 2014
Lucia
Westphalen Etchegoyen, viúva
Sergio
Westphalen Etchegoyen, filho
Maria
Lucia Westphalen Etchegoyen, filha
Alcides
Luiz Westphalen Etchegoyen, filho
Marcos
Westphalen Etchegoyen, filho
Roberto
Westphalen Etchegoyen, filho

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