Pela continuidade da Polícia Militar
EDITORIAL
CORREIO BRAZILIENSE
CORREIO
BRAZILIENSE - 16/12
Indignadas com a sucessão de
escândalos de corrupção na Petrobras, descobertos pela Polícia Federal na
Operação Lava-Jato, as pessoas de bem correm o risco de não perceberem a
gravidade de uma armação que atenta contra uma das maiores carências do cidadão
brasileiro: a segurança pública.
Trata-se de um movimento
patrocinado por parlamentares ligados ao atual comando do país e por ativistas
de ideologias antidemocráticas que não medem consequências para implantar seus
projetos de poder. Querem acabar com as polícias militares.
Especialistas em
desconstruir reputações, essas pessoas desenvolveram um discurso sedutor, de
aparência politicamente correta, para desmoralizar as PMs, supervalorizando
deslizes localizados que, infelizmente, ocorrem em qualquer atividade humana.
E quando não ocorrem, é
fácil produzi-los. Basta provocar o confronto, reagindo às ações destinadas a
expulsar marginais de áreas habitadas por cidadãos honestos, cumprir decisão
judicial de desocupação de propriedades públicas ou privadas e controlar
manifestações que se tornam violentas.
A estratégia é passar para a
população a ideia de que o policial militar é o bandido - não o traficante, o estuprador,
o latrocida ou os políticos curruptos.
Mas ao cidadão atento não
escapa a evidência de que se trata de uma tentativa sórdida de remover uma
barreira incômoda aos que pretendem aumentar a concentração de poder em
Brasília, atropelar as leis, desmoralizar a Justiça e, assim, quebrar a ordem
institucional.
Tradição no Brasil desde os
tempos coloniais, as forças policiais militares tiveram a sua missão, assim
como a das polícias civis, confirmada pela Constituição "Cidadã" de
1988. As PMs são treinadas e armadas para fazer o policiamento ostensivo e
executar ações que exigem o braço forte do Estado em defesa do cidadão.
As polícias civis cumprem
indispensável papel de investigação e levantamento de provas e evidências que
vão fundamentar as denúncias do Ministério Público à Justiça. Devem, portanto,
dispor de aparato técnico e científico que aumente a eficiência de suas ações
de inteligência.
Essa origem constitucional
tem blindado as PMs dos ataques, às vezes sorrateiros, dos interessados em
extingui-las, ou desarmá-las (o que daria no mesmo). Mas eles não desistem.
Sempre que surge uma oportunidade, retomam o discurso e os projetos no
Congresso. As manifestações de rua de 2013, por exemplo, foram amplamente
usadas por esse lobby contra as PMs, como se os black blocs fossem os mocinhos
e os policiais os bandidos.
Se forem desarmadas, é de se
imaginar os militares da Rotam do Distrito Federal, em operações contra o
tráfico (que já movimenta anualmente R$ 700 milhões, ou 0,5% do PIB local) nos
arredores mais violentos de Brasília, oferecendo rosas em troca de armas e
drogas ilegais. Ou o pessoal da PM mineira dialogando com os marginais que
infernizam as famílias de quase todos os 853 municípios do estado, para que
façam a gentileza de deixar o rendoso negócio do crack.
Com nossas fronteiras
abertas ao contrabando de armas sofisticadas, descontinuar ou desarmar as PMs
será deixar o cidadão vulnerável aos bandidos e as cidades entregues aos
vândalos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário