Eleições 2014
No berço político de Dilma, PT patina e complica palanque.
Pesquisas indicam que o governador Tarso Genro (PT) terá dificuldades para buscar a reeleição contra adversários ligados à base de Dilma no plano federal
Laryssa Borges, de Brasília

Dilma Rousseff e Tarso Genro (Tadeu Vilani/RBS/Folhapress)
A sete meses das eleições, a
presidente Dilma Rousseff decidiu se dedicar pessoalmente à montagem de
palanques regionais para sua candidatura à reeleição. A presença de Dilma à
mesa é parte da estratégia da direção do PT para tentar destravar conflitos entre
partidos que compõem sua base em Brasília, mas que poderão se enfrentar
nas disputas locais. Nas últimas semanas, ao analisar o xadrez eleitoral,
conselheiros da presidente chegaram a um diagnóstico nada favorável: Dilma
poderá enfrentar dificuldades em seu berço político, o Rio Grande do Sul.
Porém, ao contrário dos embates entre aliados pelo país, é o próprio PT quem
causará dor de cabeça para Dilma.
Isolado
na Assembleia Legislativa gaúcha, onde apenas PTB, PCdoB e o nanico PPL ainda
se mantêm fiéis à sua gestão, o governador Tarso Genro (PT) aparece em segundo
lugar em pesquisas encomendadas por partidos. Em ambas, é superado pela
senadora Ana Amélia Lemos (PP) – 41% a 27% em levantamento feito a pedido
do PSB, e 39% a 29% em sondagem realizada pelo PP.
Tarso
anda às turras com os professores da rede estadual, que não recebem o
piso nacional do magistério. Em Brasília, a situação tampouco é das mais confortáveis
desde que ele passou a liderar uma frente de governadores cobrando um novo
indexador para a dívida dos Estados com a União. Mais: é alvo frequente de fogo
amigo no PT, que ressalta as declarações de sua filha, a barulhenta ex-deputada
Luciana Genro (PSOL), contra o governo Dilma.
Ex-ministro
da Justiça e presidente do PT após o estouro do escândalo do mensalão, Tarso
não tem a simpatia da ala do PT ligada aos próceres petistas condenados no
julgamento feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) – o que não chega a
ser um mérito. O governador gaúcho já defendeu publicamente a refundação
do partido depois do escândalo dos mensaleiros e, antes do veredicto do
STF, afirmou que altas autoridades da República deveriam ser levadas
para o banco dos réus. As declarações foram mal recebidas pela antiga
cúpula petista e até hoje causam retaliações internas de aliados do ex-ministro
da Casa Civil José Dirceu.
Paralelamente
ao enfraquecimento do governador, candidato à reeleição, PP e PMDB,
ambos aliados de Dilma na esfera federal, articulam candidaturas próprias, o
que deverá fazer do Estado um campo minado para a presidente na campanha. O PP
apresentou o nome da senadora Ana Amélia Lemos, enquanto o PMDB formalizou
a candidatura do ex-prefeito de Caxias do Sul José Ivo Sartori ao Palácio
Piratini. Sartori é ligado ao senador Pedro Simon (PMDB). Também são
candidatos ao governo gaúcho o deputado federal Vieira da Cunha (PDT), o
empresário José Paulo Dornelles Cairoli (PSD) e o professor Roberto Robaina
(PSOL).
Diante
do cenário embaraçoso para Dilma, os adversários na corrida pelo Palácio
do Planalto, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), já negociam o apoio de
Ana Amélia, cujo palanque poderá servir a ambos. O PSB de Campos
poderá estar representado em sua chapa, indicando o vice-governador. O
nome mais cotado é do deputado federal José Stédile (PSB), irmão
de João Pedro Stédile, dirigente do Movimento dos Sem Terra (MST). Como o
PP gaúcho é ligado a grandes produtores rurais, a aliança seria uma forma
de dobrar a resistência de pequenos agricultores. O PSDB também seria
contemplado: a eventual vitória de Ana Amélia abriria espaço para que o tucano
Alberto Wenzel, ex-prefeito de Santa Cruz do Sul, suplente dela,
herdasse uma cadeira no Senado Federal. "Na formação de alianças
políticas não pode haver radicalismo. Precisamos de uma ação mais criativa e
menos preconceituosa”, diz a senadora Ana Amélia.
“A
vitória do PP depende muito mais de nós não errarmos do que do risco de
concorrência de Tarso Genro”, afirma o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS). Por
enquanto, a frase deve ser vista tão somente como uma provocação. Mas, se
os rumos não se alterarem nos próximos meses, não é exagero afirmar que Dilma
terá de cabalar votos para Tarso.
Revista Veja.
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