Novas e fortes evidências de corrupção na Petrobras
EDITORIAL
O GLOBO
O
GLOBO - 13/06
A
descoberta de milhões de dólares escondidos na Suíça pelo ex-diretor Paulo
Roberto Costa reforça a certeza de que negócios escusos foram fechados na
estatal.
Entre o depoimento à CPI
chapa-branca da Petrobras, no Senado, do ex-diretor da estatal Paulo Roberto
Costa e a sua segunda prisão passaram-se apenas algumas horas. Serviu como
mensagem ao governo de que talvez seja em vão todo o esforço para montar a farsa
dessa CPI e travar os trabalhos da comissão mista, formada com representantes
do Senado e Câmara.
Paulo Roberto teve sua
primeira prisão preventiva decretada pela Justiça do Paraná na sequência das
investigações da Polícia Federal na Operação Lava-Jato, sobre um esquema
bilionário de lavagem de dinheiro comandado pelo doleiro Alberto Youssef. Ao
mesmo tempo, estourou o escândalo da compra da refinaria de Pasadena, no Texas,
com a declaração pública da presidente Dilma de que, se soubesse de cláusulas do
negócio que lhe foram omitidas quando estava à frente do Conselho
Administrativo da Petrobras, não o aprovaria.
Com o andamento das
investigações e a evolução do noticiário, soube-se que o ex-diretor de
Abastecimento fez parte de um comitê na refinaria. Não contribuiu para a imagem
de lisura que o governo tentou passar para o negócio, depois da reprovação da
compra por Dilma e, mais à frente, pela própria presidente da estatal, Graça
Foster.
Tendo a prisão sido relaxada
pelo ministro do Supremo Teori Zavaski, Paulo Roberto retorna ao presídio
paranaense porque a Suíça descobriu em seu nome, no de parentes e de um
funcionário de Youssef, aproximadamente US$ 28 milhões. Não surpreende. Afinal,
ao ser preso pela primeira vez, foi encontrado em sua casa, no Rio, mais de R$
1 milhão em dinheiro vivo.
Relacionar esta dinheirama à
atuação de Paulo Roberto Costa na Petrobras é simples. E principalmente à obra
da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, na qual o diretor teve participação
direta. Resultado da aproximação entre o Brasil lulopetista e a Venezuela
chavista, e fruto do relacionamento pessoal entre Lula e Chávez, Abreu e Lima
tem pelo menos dois números escandalosos: foi orçada em US$ 1,8 bilhão e já
custa US$ 18 bilhões, dez vezes mais. Mais que evidências, o TCU tem provas de
superfaturamento no projeto, a única explicação plausível para tamanho estouro
de orçamento.
Ao sair da prisão, Paulo
Roberto Costa disse à “Folha de S.Paulo”, para justificar a superação das
estimativas, que se definiu o projeto numa “conta de padeiro”. Assim, agrediu
os milhares de donos de padaria, que não tratam seus negócios como alguns
projetos têm sido tocados na estatal.
Ganham importância ainda
maior as investigação da PF. É preciso descobrir, com provas, a origem do
dinheiro e seu destino. As ligações político-partidárias do ex-diretor
estimulam especulações.
Também se reforça a ideia de
que o aparelhamento da estatal por esquemas de petistas e aliados tem relação
com todos esses desmandos. A Copa do Mundo e o recesso parlamentar não devem
conseguir congelar a evolução dos fatos.
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