O STF foi 100% com Lula
GUILHERME FIUZA
REVISTA ÉPOCA
quarta-feira, 07de maio de 2014
Lula disse que o julgamento
do mensalão foi 80% político. É bom mesmo deixar esses percentuais bem claros.
Com número não se brinca. É por isso que o governo popular está numa fase
especialmente zelosa com as estatísticas. O IBGE está levando um banho de loja
do PT. Logo antes da Copa, divulgará um novo cálculo do PIB, esse índice
neoliberal de direita que vive contrariando os companheiros. O novo PIB se
juntará aos novos indicadores de emprego e renda - após a intervenção do
governo nas pesquisas nacionais contínuas, que revoltou e paralisou os técnicos
do IBGE. São uns burgueses alienados. Não percebem que, de roupa nova (e
estrelinha no peito), o IBGE ficará 80% mais bonito.
É importante o
esclarecimento de Lula aos brasileiros sobre o que se passou no Supremo
Tribunal Federal (STF), com os percentuais exatos.
Até então, só se sabia que
os ministros Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli eram 100% petistas. E que o
ministro Luís Roberto Barroso tinha usado 110% de seus poderes mágicos para
fazer sumir a quadrilha que roubou o Brasil.
O esquema conduzido pela
santíssima trindade Dirceu-Delúbio-Valério, alinhando de dentro do Palácio do
Planalto os cofres de estatais e bancos privados à bocarra do partido do
presidente da República, não foi obra de uma quadrilha. Os manifestantes da
Primavera Brasileira que engoliram essa decisão sentadinhos no sofá de casa são
cerca de 98% trouxas (com margem de erro de 2 pontos para mais ou para menos,
dependendo de quantos deles tenham sido gratificados pelo comitê central).
O guru brasileiro do
socialismo privado fala do mensalão na hora certa. As eleições estão chegando,
e ainda por cima com o crescimento - agora explícito - do "volta,
Lula". É importante lembrar que, depois do mensalão, o PT ganhou duas
eleições presidenciais nas barbas do STF, que passou sete anos sentado em cima
do processo - mantendo o escândalo 80% abafado e 20% inofensivo. É o momento de
desdentar a corte suprema de novo, até porque Lula disse a Dirceu "estamos
juntos", no instante em que o parceiro foi preso. O eleitor precisa
sublimar essa prisão. Do contrário, em vez de mandar Lula para o Planalto, pode
querer mandá-lo para a Papuda.
A elite golpista está
chateando com essa história de investigar telefonemas da Papuda para o
Planalto. Por que isso? Para que investigar se há uma linha direta entre o
presídio e o Palácio? Lula não disse que está junto com o prisioneiro Dirceu? A
companheira presidenta não cerrou o punho para o alto num congresso do PT, em
desagravo aos heróis encarcerados? O governador petista do Distrito Federal não
virou frequentador da Papuda para despachar com Dirceu, dando beijinho no ombro
para os privilégios dos mensaleiros? Se alguém ainda tem dúvida de quem manda
em quem, e quem obedece a quem nessa história, não haverá grampo da Polícia
Federal que resolva. Os companheiros dirão que as escutas foram 80% políticas,
e tudo bem.
O interessante nessas horas
é admirar a coesão do time. E entender para que serve um ministro da Justiça.
Você pode achar que José Eduardo Cardozo é uma figura meio sumida na paisagem
do faroeste brasileiro, mas é engano seu. Nas horas cruciais, ele sempre
aparece. Quando foram proferidas as penas dos mensaleiros, declarou que
preferia morrer a ficar preso no Brasil. De bate-pronto, foi citado no STF por Dias
Toffoli, numa incrível jogada ensaiada para tentar atenuar as penas da
quadrilha (depois extinta pelo Tribunal).
Agora, com a farra da
Papuda, Cardozo emergiu novamente. Afirmou que não acha legítimo investigar as
possíveis ligações telefônicas entre o Planalto e o gabinete de Dirceu na
Papuda. Cardozo acha que os indícios não são suficientes para abrir uma
investigação. A pergunta é: por que o ministro da Justiça tem de achar alguma
coisa sobre esse assunto, se considera a matéria sem consistência? Como diria o
rei Juan Carlos: por que não te calas?
Cardozo não se cala porque,
como todo petista que ocupa um cargo público, tem de prestar 80% de serviço ao
partido. Os outros 20%, é só pedir com jeitinho ao novo IBGE, que ele libera.
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