BOLA
BRANCA: No comício de 1º de maio lideranças petistas foram vaiadas e impedidas
de falar
O
POPULISMO ELEITOREIRO ENTRA EM AÇÃO
EDITORIAL
O GLOBO
O
GLOBO - 03/05
Presidente e PT demonstram
que farão tudo para reverter clima de mau humor no país de que as vaias de
militantes da CUT a lideranças do partido são um sintoma
Este foi um 1º de Maio de
dissabores para o PT, algo impensável não muito tempo atrás. Nunca se poderia
profetizar, em sã consciência, que, em um comício da CUT, braço sindical do
partido, no Dia do Trabalho, lideranças petistas seriam vaiadas e impedidas de
falar. O veto, digamos, popular atingiu o ministro da Secretaria Geral da
Presidência, Gilberto Carvalho, setorista de “movimentos sociais”, o novo
ministro de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, o próprio prefeito
Fernando Haddad e o pré-candidato ao Palácio dos Bandeirantes Alexandre
Padilha.
O fato, ocorrido no Vale do
Anhangabaú, na capital paulista, faz recordar algumas manifestações, em junho
do ano passado, que mantiveram militantes de partidos à distância, entre eles
os do PT, até então os “donos das ruas”.
Sinal de que há mesmo um
clima de mau humor generalizado. A origem pode ser difusa — inflação,
corrupção, escassas perspectivas de melhoria —, mas o alvo, ou um deles, são o
governo Dilma e o PT.
O que aconteceu quinta-feira
no comício da CUT é mais importante que a circunstância de a Força Sindical ter
aberto palanque, também no Dia do Trabalho em São Paulo, para os candidatos de
oposição Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). Afinal, o deputado Paulo
Pereira da Silva (Solidariedade-SP), líder da central sindical, se notabiliza
por cultivar alto senso de oportunidade diante de alterações nos ventos da
política. Foi aliado de FH com a mesma fidelidade com que seguiu Lula e, até há
pouco tempo, Dilma.
Prestes a completar 12 anos
de poder em Brasília, o PT é acometido de algum tipo de fadiga de material que
leva à irritação até mesmo militantes da CUT. No aspecto político-eleitoral, as
duas manifestações sindicais no 1º de Maio foram um teste de popularidade
negativo para o pacote de bondades populistas desembrulhado pela presidente na
noite anterior, no pronunciamento à nação em rede nacional, por ocasião do Dia
do Trabalho, indevidamente transformado em palanque da candidata à reeleição.
Se havia dúvidas de que
Dilma e PT estariam dispostos a explorar o caminho do populismo para tentar uma
reeleição a qualquer custo — mesmo o da desestabilização do início do seu
segundo governo e até do final do atual mandato —, elas acabaram na noite de
quarta-feira. Os anunciados reajustes do Bolsa Família (10%) e da tabela do
Imposto de Renda da pessoa física (4,5%) somarão mais R$ 9 bilhões na conta dos
gastos públicos até o final do ano que vem.
Em queda nas pesquisas
eleitorais — mas ainda favorita —, a presidente Dilma luta em várias frentes. Inclusive,
internas, pois também precisa esvaziar o movimento “Volta, Lula” dentro do PT e
legendas aliadas.
Para isso, deverá contar com
a ajuda do próprio Lula. Já quanto ao eleitorado, ela começou, infelizmente, a
colocar o Tesouro Nacional a serviço da campanha, a fim de atraí-lo.
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