A prisão dos manifestantes
EDITORIAL ZERO HORA
ZERO
HORA - 22/07
Causa perplexidade o empenho de parlamentares e lideranças partidárias para
desqualificar o trabalho da polícia, do Ministério Público e da Justiça do Rio
de Janeiro, que culminou na ordem de prisão para 23 manifestantes envolvidos em
protestos violentos no país. Não se trata de intimidação a movimentos sociais,
como alegam os defensores dos ativistas, mas sim de uma resposta do Estado a
delinquentes, compatível com o Estado Democrático de Direito e com o clamor da
sociedade por punição a pessoas que agridem, depredam e se organizam para
praticar crimes.
Foi, sem dúvida, uma atitude
preventiva da Justiça a prisão _ na véspera da decisão da Copa do Mundo _ de
suspeitos de envolvimento em atos de vandalismo, especialmente de lideranças
que planejavam novas ações violentas, conforme revelam as conversas telefônicas
gravadas com autorização judicial. Claro que a decisão da Justiça não está
livre de questionamentos. Numa democracia, há sempre espaço para que vozes
discordantes saiam em defesa de acusados. O inadmissível é que muitas delas se
empenhem agora não em apontar argumentos consistentes de defesa, mas em
desqualificar a decisão judicial, que está fundamentada em fatos objetivos.
Na denúncia apresentada ao Judiciário
contra 23 ativistas, o Ministério Público revela que um dos propósitos do grupo
era incendiar a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Classificados como
quadrilha, os manifestantes teriam praticado, entre outros crimes, os de
associação criminosa, destruição de ônibus e de agências bancárias até a morte
do cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes. E teria havido até mesmo
a intenção de marcar o final do Mundial com o chamado de Junho Negro, o que
determinou a decretação das prisões preventivas.
Por mais que até mesmo parlamentares
tentem alegar defesa da livre manifestação, não há como ignorar fatos concretos
do relatório da Polícia Civil. O grupo dispunha não só de uma hierarquia rígida
como também de comissões responsáveis pela confecção e distribuição de bombas e
coquetéis molotov, além do planejamento de ataques.
Os brasileiros, em sua maioria,
entenderam e se solidarizaram com o recado das manifestações de rua
intensificadas a partir de junho do ano passado. Diante dos desvios dos
objetivos iniciais, porém, é impositivo que agora se defenda o império da lei,
para que a Justiça se mantenha livre de pressões ideológicas, venham de onde
vierem. Por isso, as prisões representam, acima de tudo, uma resposta ao Estado
e da sociedade organizada aos excessos praticados por manifestantes que
transformaram a violência num instrumento para alcançar seus objetivos.

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