Afronta à moralidade
EDITORIAL
ZERO HORA
ZERO
HORA - 11/07
As candidaturas do
ex-governador José Roberto Arruda (PR) ao governo do Distrito Federal e da
deputada federal Jaqueline Roriz (PMN) a um novo mandato na Câmara dos
Deputados são uma afronta à Lei da Ficha Limpa, à Justiça e ao bom senso. Ambos
foram condenados por improbidade administrativa no processo da operação Caixa
de Pandora, que investigou o esquema de corrupção conhecido como mensalão do
DEM. Jaqueline Roriz foi flagrada em vídeo recebendo das mãos do ex-secretário
Durval Barbosa o dinheiro da propina. Arruda tem envolvimento em vários
episódios, todos delituosos, considerados desonrosos ao Congresso e ao próprio
partido a que pertence. Seus casos configuram exemplos clássicos de corrupção
na política, pela reincidência, pela forma acintosa com que ambos tentam agora
continuar atuando na vida pública e, o que é pior, pela sensação generalizada
de que ambos poderão prosperar em seus objetivos.
A defesa de Arruda
sustenta-se no argumento batido e desrespeitoso da formalidade. Ele teria
registrado a candidatura antes da condenação, em segunda instância, pelo
Tribunal de Justiça do Distrito Federal. O candidato valeu-se de uma manobra,
que adiara o julgamento no Tribunal, para inscrever-se como pretendente ao
governo. A condenação que o enquadra na Ficha Limpa teria ocorrido, portanto,
fora do prazo que poderia impedi-lo de concorrer. É uma alegação formalista. O
senhor José Roberto Arruda deveria, tão logo foi condenado, ter solicitado o
cancelamento da inscrição. O Ministério Público já anunciou que irá recorrer
contra o registro. Se fracassar, teremos mais um corrupto julgado e condenado
concorrendo a um importante cargo público e com chances reais de se eleger. A
candidata a deputada Jaqueline Roriz era, como a Justiça apurou, operadora do
esquema que favorecia Arruda.
O ex-governador é personagem
recorrente no noticiário sobre episódios negativos na política brasileira. Em
2000, como senador pelo PSDB, rebatia com veemência acusação de que violara o
painel eletrônico de votação da Casa. Pressionado pelos próprios colegas de
partido, subiu à tribuna e, chorando, admitiu que fraudava as votações. Há
quatro anos, já como deputado federal, esteve preso por tentativa de suborno de
uma testemunha do mensalão do DEM. Logo depois, seu mandato foi cassado por infidelidade
partidária.
Arruda vale-se de uma
estratégia de difícil sustentação moral. E usa as desculpas de que as normas
devem ser respeitadas, sempre com a intenção de procurar as brechas legais
favoráveis aos criminosos. Se a filigrana jurídica prevalecer, a Lei da Ficha
Limpa ficará desmoralizada exatamente no início de um processo eleitoral em que
se esperava mais lisura. Mas há tempo para que uma lei ainda posta em dúvida se
torne mais efetiva.
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