Dilma e a economia
SUELY
CALDAS
O
ESTADO DE S.PAULO - 20/07
Na última semana pesquisas
diversas constataram: o desempenho da economia piorou e vai piorar mais, caem
os índices de avaliação do governo e de intenção de votos na presidente Dilma e
cresce sua rejeição entre os eleitores, alcançando 35%, a taxa mais alta entre
todos os candidatos. Cenário áspero, cada dia mais difícil para uma disputa
eleitoral que há seis meses dava como certo um segundo mandato para a petista.
Desde o primeiro ano, 2011,
a fragilidade do governo Dilma tem sido desordenadamente construída pelo vazio
de um projeto para o País e por uma sucessão de erros na gestão econômica, que
têm nas medíocres taxas de crescimento do PIB a inescapável resposta. Entre
2011 e 2013, a taxa média do PIB foi de 1,97% e, se conseguir alcançar 1% em
2014 (há apostas abaixo disso), Dilma terminará seu mandato com 1,7% - o
terceiro pior desempenho econômico da história do País, depois dos presidentes
Collor (-1,3%) e Floriano Peixoto (-7,5%).
Diferentemente de seu
antecessor e padrinho: em oito anos de Lula, a expansão média do PIB ficou em
4%. Em 2010 a taxa subiu para 7,5% e ajudou (muito) a eleger Dilma. A situação
agora se inverte e ela não consegue ajudar a si própria. É certo que Lula
contou com a sorte de uma economia mundial próspera em seu primeiro mandato. E,
no segundo, o País abalado com a crise financeira do mundo rico, Lula usou de
artifícios para acelerar a economia e vencer a eleição em 2010, fez a
sucessora, mas lhe entregou uma herança pesada que ela não soube desfazer e até
aprofundou. Exemplo: o represamento de tarifas públicas e a preocupante
situação financeira da Petrobrás.
Pesquisas recentes (retração
de 0,18% na economia, medida pelo Banco Central, o BC; estagnação das vendas do
comércio e serviços; desaceleração na geração de empregos) e outras antigas e
renitentes (inflação colada no teto da meta; juros nas alturas; queda da
produção industrial) não são surpresa para o governo Dilma. Elas têm sido
captadas pelo Banco Central, para monitorar suas ações e decisões, e
explicitadas em cada relatório trimestral da inflação que a diretoria do banco
apresenta ao Senado. No último deles, no fim de junho, o BC manifestou
preocupação com o baixo crescimento de todos os setores da economia e previu:
em 2014 a agricultura vai despencar de 7% para 2,8%, a indústria retrocede 0,4%
e serviços crescem só 2%. Depois das últimas pesquisas, certamente o BC está
refazendo essas projeções.
Portanto, surpresa não é.
Mas, a cada pesquisa de maus resultados, a equipe da presidente Dilma reage
como avestruz: viu antes, mas finge que não viu, surpreende-se e descreve um
mundo cor-de-rosa (e desacreditado) para o futuro, garantindo que o quadro será
revertido nos meses seguintes. Na arte da ilusão o ministro Guido Mantega é
campeão, mas a última foi do ministro do Trabalho, Manoel Dias (PDT): ao
divulgar que a geração de 25,4 mil empregos em junho foi a pior desde 1998, ele
reagiu: "Nos próximos meses vai expandir mais porque a presidente vai
anunciar medidas de estímulo para as pequenas e médias empresas".
E tem sido assim. Se o
emprego vai mal, se a indústria se retrai, se o consumo recua, o governo corre
para tapar buracos. Desde 2006, quando Dilma venceu a disputa pelo comando da
economia com o ex-ministro Palocci e a ordem passou a ser gastar mais,
imediatamente surgiu a operação "tapa-buraco" em rodovias. Não se
pensou em construir novas e carentes estradas, mas em queimar dinheiro cobrindo
buracos nas existentes, que as chuvas e o desgaste do asfalto tratam de
refazer.
A "mãe do PAC" fez
um plano para o País acelerar o crescimento no presente e vencer disputas
eleitorais, mas não se preocupou em desenhar estratégias e construir projetos
para o futuro. E assim tem sido nestes quatro anos. Junte-se aí uma sucessão de
erros de gestão (o represamento de tarifas de combustíveis e energia elétrica e
os truques e mágicas nas contas públicas são os mais graves), e Dilma Rousseff
colhe agora a descrença de quem pretende e tem potencial para investir, mas
acaba adiando investimentos. E o mau desempenho da economia reflete isso.
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