Uma perda imensurável
EDITORIAL
ZERO HORA
ZERO
HORA - 14/08
O Brasil perdeu ontem uma
alternativa importante para o seu futuro. O jovem político pernambucano Eduardo
Campos, morto tragicamente na queda de um jatinho particular em Santos,
juntamente com quatro assessores e dois pilotos, representava na atual disputa
presidencial a chamada terceira via, com potencial para quebrar a bipolarização
histórica entre o PT, atual ocupante do poder, e o PSDB, seu antecessor.
Representava, também, um
sopro de novidade na política nacional. Eduardo Campos, do PSB, carregava no sangue
uma história familiar de comprometimento com as causas sociais, herdada de seu
avô e padrinho político Miguel Arraes, falecido em 2005, coincidentemente
também num 13 de agosto. E, aos 49 anos, também carregava no currículo uma
recente e bem-sucedida experiência de dois mandatos como governador de
Pernambuco, de onde saiu com índices históricos de aprovação popular.
Estava, portanto,
credenciado para pleitear uma fatia importante do eleitorado na atual disputa
presidencial, embora ocupasse apenas a terceira posição nas pesquisas de
intenção de voto já apuradas. Mas vinha conquistando espaço desde que tomou a
surpreendente decisão de coligar-se com a ex-ministra Marina Silva quando esta
não conseguiu o registro de seu partido, a Rede Sustentabilidade.
A ousadia era uma das marcas
da breve carreira política de Eduardo Campos: com três mandatos parlamentares,
dois mandatos de governador e participação no ministério de Luiz Inácio Lula da
Silva, assumiu a presidência nacional do PSB em 2005 e, no ano passado,
surpreendeu ao optar pela candidatura própria, em vez de continuar apoiando a
administração petista.
Perde o Brasil, portanto,
uma referência como homem público. E perde, acima de tudo, uma liderança
política comprometida com a democracia, com o desenvolvimento e com as
liberdades individuais de seu povo. Mas a perda maior, imensurável, é a do ser
humano, pai de família, filho ilustre de Pernambuco e homem reconhecido por
seus pares pela convivência civilizada, pelo diálogo inteligente e pela
integridade.
O primeiro dever do país
diante de uma perda assim deve ser a solidariedade e o conforto aos familiares
e amigos do ex-governador e das demais pessoas vitimadas no acidente. Só depois
do luto é que se pode pensar mais refletidamente nas consequências eleitorais
do inesperado desaparecimento do político pernambucano.
Porém, uma frase extraída da
entrevista que ele concedeu na última terça-feira ao Jornal Nacional já pode
ser adotada pelos brasileiros de todas as tendências políticas em sua
homenagem: “Não vamos desistir do Brasil!”

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