"A fórmula para ganhar eleição"
Tulio
Milman
23/08/2014
Ganhar
eleição no Brasil é uma barbada.
O primeiro truque são as
promessas. Muitas promessas. Encomende pesquisas, veja quais são as maiores
preocupações do povo e invente soluções para todas elas. Depois de eleito, não
precisa se preocupar. É só culpar a crise internacional, a oposição ou o sistema.
Ou então jurar que cumpriu, mesmo que não tenha. Use gráficos.
Ingrediente número 2: abuse
dos autoelogios. Diga que você inventou o sol, a chuva e o picolé de chocolate.
As crianças adoram e, mesmo que elas não votem, seu poder de influência, de acordo
com as pesquisas, é gigantesco. Ética e transparência são palavras básicas.
Exagere nelas.
E nem perca tempo tentando
entender o que significam. Não precisa. Apenas use.
Ainda no quesito elogios,
pega bem contratar artistas desconhecidos, ou usar militantes, para que os
testemunhos de terceiros pareçam espontâneos. Não esqueça de marcar bem os
sotaques: nordestino, gaúcho, carioca, paulista e mineiro. Só dos maiores
colégios eleitorais. Sotaque do Amapá não precisa.
Jamais fale mal do Bolsa
Família. Mesmo que, no fundo, você ache que é um programa paternalista e
assistencialista. Criticar o Bolsa Família, mostram as pesquisas, tira votos.
Sorriso no rosto, um jingle
bonito com palavras tipo "esperança, novo Brasil, amanhã e futuro".
Ache rimas, quaisquer rimas. Grave em ritmo de samba, forró, xote e sertanejo.
Se o eleitor chorar de
emoção, o voto é seu.
Tire do baú algumas fotos
antigas da família. Histórias de superação e pobreza são altamente eficazes.
Apareça no horário eleitoral
gratuito fazendo coisas que você não faz, mas que as pesquisas mostram que todo
mundo faz: andar de ônibus, cozinhar, ir ao supermercado.
Não olhe para a câmera
durante a gravação dessas cenas de rotina. Faça de conta que você nem sabe que
ela está ali. Tipo ator de novela. Pode errar que a equipe edita, ou grava de
novo.
Pronto.
Você tem tudo para se eleger
presidente do Brasil.
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