Da euforia ao desânimo
ELIANE
CANTANHÊDE
FOLHA
DE SP - 12/08
BRASÍLIA - A última
cerimônia de apresentação de credenciais de embaixadores estrangeiros à
presidente da República foi no final do ano passado. Desde então, lá se vão
tantos meses, os novos embaixadores em Brasília estão num limbo.
São em torno de 20, de
variados países e continentes, que vivem, trabalham e se movimentam no país sem
terem apresentado oficialmente suas credenciais a Dilma.
O embaixador da Turquia
disse a colegas que não consegue sequer viajar. Teme sair de Brasília num dia e
a cerimônia ser convocada para o dia seguinte, sem tempo de voltar. Não é
paranoia. Há relatos de embaixadores chamados pelo Planalto num fim de tarde
para entregar credenciais na manhã seguinte.
Essa pequena história
ilustra algo detectável em conversas informais com a comunidade diplomática em
Brasília: o clima de euforia durante o governo Lula cedeu a um ambiente de
surpresa e desânimo (também) entre diplomatas. Cá entre nós, não apenas entre
os estrangeiros.
Dias depois de alugar uma
casa no Lago Sul, o bairro mais sofisticado da capital da República, um europeu
recebeu um telefonema desesperado: ladrões arrombaram a casa, onde estavam sua
mulher e filhos. Ele, que já tinha servido no Brasil, questiona: "Por que
as mortes em Gaza, na Síria e no Egito chocam tanto, se aqui morrem mais de 55
mil pessoas por ano vítimas da violência?" Alguém se anima a responder?
Uma asiática quer ir ao
Nordeste, mas tem medo. Todos reclamam dos preços. Um diz que ficou muito
animado para vir, quando o Brasil era o queridinho internacional. Chegou, se
instalou e logo o entusiasmo --internacional e dele-- começou a murchar. Hoje,
anda meio desanimado, principalmente com a economia.
Diplomatas são cautelosos
por definição, mas os estrangeiros já admitem a frustração com o país, e os nacionais
não escondem a mágoa com Dilma. Ela não gosta de diplomacia. E o Itamaraty anda
bem apagado.

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