Invasão de danos
EDITORIAL
FOLHA DE SP
FOLHA
DE SP - 26/08
Como se resolver o problema
do deficit habitacional já não fosse tarefa complexa, invasões orquestradas por
movimentos de sem-teto em empreendimentos populares inacabados adicionam à
equação dificuldades nada desprezíveis --e não apenas para as autoridades.
Também a população que vive
em áreas de risco ou espera há anos por sua residência se vê prejudicada por
intervenções de grupos que, à margem da lei, decidem se apossar de conjuntos
habitacionais construídos com recursos públicos.
Reportagem desta Folha
mostra que, na cidade de São Paulo, 1.427 famílias de baixa renda continuam à
espera de moradias do programa federal Minha Casa Minha Vida devido a danos
causados por invasores.
Não satisfeitos em ocupar
ilegalmente unidades quase prontas, que dependiam apenas de ligações de água e
de esgoto para serem entregues, os sem-teto depredaram e incendiaram
instalações de oito condomínios quando a polícia comandou uma ação de
reintegração de posse.
O vandalismo tornou
necessário reformar os empreendimentos. Assim, não se sabe quando as unidades,
em construção desde 2010, serão oferecidas às famílias. Agrava-se, pois, a
situação de quem hoje vivem em condições precárias.
É o caso, por exemplo, do
mecânico Thiago do Nascimento Silva, 24, que mora com a mulher e a filha de
três anos no Jardim Pantanal, bairro da zona leste frequentemente sujeito a
alagamentos.
"Até hoje espero minha
casa e quase não tenho mais esperança. Perdi meu carro na última enchente e
tenho medo de a minha filha ficar doente", lamenta Silva.
Essa destruição, ademais,
impõe um custo adicional às obras --responsabilidade da qual os invasores
provavelmente escaparão. Segundo a Caixa Econômica Federal, que zela pelos
imóveis, ainda não há estimativa para os gastos extraordinários em que
incorrerá.
A julgar por experiência
semelhante na esfera municipal, o prejuízo será significativo. Na Prefeitura de
São Paulo, calcula-se em R$ 700 mil o custo para reformar 40 apartamentos de um
condomínio da Cohab (empresa metropolitana de habitação) que também foi
destruído no momento do despejo.
Os próprios sem-teto
agradeceriam se os recursos não precisassem ser aplicados duas vezes no mesmo
apartamento.
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