Dilma e Marina não decantam
ELIANE
CANTANHÊDE
FOLHA
DE SP - 05/09
Numa eleição tão destrambelhada, um dado tem
grande significado: a desconexão entre a eleição presidencial e as eleições
estaduais. A presidencial parece definitivamente embicada para o PT e o PSB,
mas os dois não estão surfando nessa onda nos Estados.
O PT atolou nas pesquisas de
intenção de voto em São Paulo e no Rio, dois dos três maiores colégios
eleitorais. E, se está na dianteira em Minas, o candidato tucano está
crescendo, e o segundo turno será pauleira, com resultado imprevisível.
Ainda sobre o PT de Dilma: não
consegue liderar nem mesmo onde já tem a máquina e disputa a reeleição ou a
manutenção nos palácios. Os governadores petistas ou seus candidatos na Bahia,
no Distrito Federal e no Rio Grande do Sul estão levando um suadouro dos adversários.
E o PSB? Fora do jogo em São
Paulo, Rio e Minas, só tem praticamente a comemorar a disparada do seu
candidato em Pernambuco. Também, só faltava essa. Trata-se do Estado de Eduardo
Campos, que foi não apenas campeão de votos, mas o governador mais aprovado e
vive seu momento mito após a morte recente.
Já o PSDB vive uma situação
inversa à dos dois partidos hoje favoritos para subir a rampa do Planalto.
Apesar de empurrados para o terceiro lugar das eleições presidenciais, os
tucanos têm boa chance de vencer no principal Estado da Federação, que é São
Paulo, já no primeiro turno.
Mesmo estando em segundo lugar,
não podem ser menosprezados em Minas, onde a polarização PT-PSDB insiste,
apesar de não estar sobrevivendo para a eleição presidencial. E, no Paraná e em
Goiás, por exemplo, uma boa aposta é a reeleição dos governadores tucanos.
Nessa barafunda, só não há uma
surpresa: vem PSDB, vai PSDB; vem PT, ameaça ir-se o PT; e lá está o velho PMDB
de guerra. Devagar e sempre, caminha para a vitória no Rio e não está fazendo
feio em São Paulo. Ganhar a eleição é improvável, mas já venceu o PT. É um bom
troféu.
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