Falta o poderoso chefão
PLÁCIDO
FERNANDES VIEIRA
CORREIO
BRAZILIENSE - 27/12
As confissões dos delatores
- que, em tese, não podem mentir sob o risco de perder o benefício de redução
da pena - indicam que o bilionário esquema de ladroagem montado na Petrobras
estendeu os tentáculos a praticamente todas as grandes obras federais. O mais
intrigante de tudo, até agora, é que, na organização criminosa, não havia
chefe. Ou, pelo menos até agora, o dedo do poderoso chefão da quadrilha, que
atuou durante os governos de Lula e Dilma, não apareceu na história.
Nas delações, réus contaram
que parte do dinheiro roubado era rapartido entre PT, PP, PMDB e políticos
aliados do governo. Seria por decisão espontânea que os integrantes do bando
resolveram destinar parte da bufunfa aos partidos que dão sustentação ao
Planalto? Não. Não foi apenas por generosidade. É inconcebível, inacreditável,
que alguém surrupie bilhões de dólares de uma empresa, ainda mais com ações
negociadas na bolsa de valores, como a Petrobras, sem que ninguém perceba.
Teriam os bandidos passado a
perna assim tão facilmente na cúpula da estatal? São Tomé que sou, imagino que
não: era preciso ser muito ingênuo para não perceber nada; ou, então,
incompetente ao extremo; ou, por fim, cúmplice. Há indícios, colhidos nas
confissões, mas nenhuma prova apresentada publicamente, de que o esquema tinha
o aval de poderes acima da Petrobras. Na empresa, pessoas erradas em postos de
comando institucionalizaram a roubalheira. Só pegava obra quem topasse entrar
no clube da propina.
Agora, imagine que todo esse
megaesquema veio abaixo praticamente por acaso. A Polícia Federal investigava
lavagem de dinheiro. Um dos alvos era o doleiro Alberto Youssef e o então
diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Ao prendê-los, percebeu que
integravam organização muito maior. Como num dominó, uma a uma as peças da
máfia que saqueava a Petrobras começaram a ruir. Falta chegar aos políticos.
Inclusive, ao capo dei capi, artífice de maracutaias que vão além da estatal:
agenda do doleiro apreendida na operação indica que o esquema abarca outras 747
obras de infraestrutura país afora. Em muitas delas, o TCU já havia apontado
irregularidades.

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