Dilma e a lista
Igor
Gielow
FOLHA
DE SP - 07/03
BRASÍLIA - A explosiva lista
de pedidos de investigação sobre políticos da Operação Lava Jato trouxe uma
péssima notícia para Dilma Rousseff -como se, ao completar neste sábado 65 dias
de seu segundo mandato, a presidente precisasse de mais alguma.
Trata-se do envio ao juiz
Sergio Moro, do Paraná, de um pedido de investigação sobre as atividades do
então onipresente Antonio Palocci Filho como arrecadador da campanha eleitoral
de Dilma em 2010.
Vamos voltar no tempo.
Naquela campanha, Palocci era um dos "três porquinhos", o núcleo duro
da campanha de Dilma em conjunto com o atual ministro da Justiça, José Eduardo
Cardozo, e o então presidente do PT, José Eduardo Dutra.
Como ex-ministro da Fazenda,
Palocci usava de seu trânsito para azeitar financiamentos para a campanha; ele
fazia chover, como se diz.
O petista virou uma espécie
de todo-poderoso no começo do primeiro governo Dilma, como chefe da Casa Civil,
mas caiu após ter suas atividades de consultoria reveladas.
À primeira vista, lendo a
petição da Procuradoria-Geral da República, em favor de Palocci há contradição
aparente entre os delatores Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa sobre o que
realmente aconteceu.
Mas se Moro, juiz implacável
até aqui, decidir que o ex-ministro tem a algo a dizer ou decidir focar na
questão, o constrangimento a que o PT vem sendo exposto ganhará outro patamar.
Estaremos falando de financiamento da campanha da presidente, não só do já
desvelado esquema de doações a partidos.
Dilma não pode ser
investigada agora por algo que aconteceu antes de ela sentar na cadeira no
Planalto. Se confirmada a apuração, que também deve afetar o tesoureiro atual
do PT, a coleção de problemas políticos e econômicos de um governo que parece
em seus estertores com pouco mais de dois meses ganhará uma incômoda adição.

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