Na Folha de
são Paulo de hoje, 29/11, o Colunista Reinaldo Azevedo publica o artigo que o
transcrevo abaixo. Merece e precisa ser lido e divulgado.
Mentir, conspirar, trair.
“O PT nem
inventou a corrupção nem a inaugurou no Brasil. Mas só o partido ousou, entre
nós, transformá-la numa categoria de pensamento e numa teoria do poder. E isso
faz a diferença. O partido é caudatário do relativismo moral da esquerda. Na
democracia, sua divisa pode ser assim sintetizada: "Aos amigos tudo, menos
a lei; aos inimigos, nada, nem a lei". Para ter futuro, é preciso ter
memória.
Eliana Tranchesi foi presa em 2005 e em 2009. Em 2008, foi a vez
de Celso Pitta, surpreendido em casa, de pijama. Daniel Dantas, no mesmo ano,
foi exibido de algemas. Nos três casos, e houve uma penca, equipes de TV
acompanhavam os agentes federais. A parceria violava direitos dos acusados.
Quem se importava? Lula batia no peito: "Nunca antes na história deste
país se prendeu tanto". Era a PF em ritmo de "Os Ricos Também
Choram".
Ainda que condenados em última instância, e não eram, o espetáculo
teria sido ilegal. Ai de quem ousasse apontar, como fez este escriba (os
arquivos existem), o circo fascistoide! Tornava-se alvo da fúria dos
"espadachins da reputação alheia", era acusado de defensor de
endinheirados. Procurem um só intelectual petista --como se isso existisse...--
que tenha escrito uma linha contra os exageros do "Estado repressor".
Ao contrário! Fez-se, por exemplo, um quiproquó dos diabos contra a correta 11ª
Súmula Vinculante do STF, que disciplinou o uso de algemas. "A direita quer
algemar só os pobres!", urravam.
Até que chegou a hora de a trinca de criminosos do PT pagar a pena
na Papuda. Aí tudo mudou. O gozo persecutório cedeu à retórica humanista e
condoreira. Acusam a truculência de Joaquim Barbosa e a espetacularização das
prisões, mas não citam, porque não há, uma só lei que tenha sido violada. Cadê
o código, o artigo, o parágrafo, o inciso, a alínea? Não vem nada.
Essa mentalidade tem história. Num texto intitulado "A moral
deles e a nossa", Trotsky explica por que os bolcheviques podem, e devem!,
cometer crimes, inaceitáveis apenas para seus inimigos. Ele imagina um
"moralista" a lhe indagar se, na luta contra os capitalistas, todos
os meios são admissíveis, inclusive "a mentira, a conspiração, a traição e
o assassinato".
E responde: "Admissíveis e obrigatórios são todos os meios, e
só eles, que unam o proletariado revolucionário, que encham seu coração com uma
inegociável hostilidade à opressão, que lhe ensinem a desprezar a moral oficial
e seus democráticos arautos, que lhe deem consciência de sua missão e aumentem
sua coragem e sua abnegação. Donde se conclui que nem todos os meios são
admissíveis".
O texto é de 1938. Dois anos depois, um agente de Stalin
infiltrado em seu séquito meteu-lhe uma picaretada no crânio. Sinistra e
ironicamente, a exemplo de Robespierre, ele havia escrito a justificativa
(a)moral da própria morte. Vejam ali. Conspirar, mentir, trair, matar... Vale
tudo para "combater a opressão". Só não é aceitável a infidelidade à
causa. Pois é...
José Dirceu quer trabalhar. O "consultor de empresas
privadas" não precisa de dinheiro. Precisa é de um hotel. Poderia fazer
uma camiseta: "Não é pelos R$ 20 mil!". Paulo de Abreu, que lhe
ofereceu o, vá lá, emprego, ganhou, nesta semana, o direito de transferir de
Francisco Morato para a avenida Paulista antena da sua Top TV, informou Júlia
Borba nesta Folha. O governo tomou a decisão contra parecer técnico da Anatel,
com quem Abreu tem um contencioso razoável. Dizer o quê? Lembrando adágio
famoso, os petistas não aprenderam nada nem esqueceram nada.
Aos amigos, tudo, menos a lei. Aos inimigos, José Eduardo Cardozo
e Cade. É a moral deles”.
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