O
hotel que contratou o ex-ministro José Dirceu para trabalhar em Brasília,
chamado Saint Peter Hotel, pertence ao irmão do presidente do PTN, um dos dez
partidos que entraram na coligação que apoiou a candidatura de Dilma Rousseff a
presidente da República em 2010. A carteira de trabalho de Dirceu indica que
ele ganhará R$ 20 mil como gerente administrativo do estabelecimento – se a
Justiça autorizar o pedido dele de deixar a prisão de dia para trabalhar.
O
dono do Hotel é Paulo Masci de Abreu, irmão de José Masci de Abreu, mais
conhecido como Dr. José de Abreu, presidente nacional do PTN. Eles são amigos
de longa data de José Dirceu. Antes que a proposta de emprego fosse
concretizada, a família Abreu fez uma análise jurídica para saber se teriam
problemas ao ajudar o amigo petista.
Sigla pequena, o PTN foi o único dos partidos
que apoiaram formalmente Dilma a não conseguir eleger deputados federais.
Recentemente, a sigla apareceu no noticiário por ter assediado a ex-ministra
Marina Silva. O próprio José de Abreu esteve no julgamento em que o Tribunal
Superior Eleitoral negou o registro para a Rede Sustentabilidade a fim de, ao
final da sessão, falar com Marina, mas não obteve sucesso.
Carteira assinada no dia 18
Na segunda-feira, o advogado de Dirceu, José
Luis Oliveira Lima, protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para
que Dirceu saia de dia da prisão da Papuda, em Brasília, onde cumpre pena em
regime semiaberto por ter sido condenado no mensalão, para trabalhar no hotel
St. Peter como gerente. Ele voltaria para a prisão no fim da tarde. O trabalho
seria das 8h às 17h.
O mesmo pedido foi feito nesta terça-feira
pela defesa à Vara de Execuções Penais (VEP) do DF. A assessoria de imprensa do
STF informou que o assunto deve ser analisado pela vara, a quem Barbosa delegou
parte das tarefas da execução das penas do mensalão. No regime semiaberto de
prisão, o sentenciado pode trabalhar fora se conseguir autorização judicial.
Para isso, tem que comprovar oferta de emprego.
A carteira de trabalho de Dirceu foi assinada
no dia 18 de novembro pelo hotel St. Peter. Na documentação encaminhada ao STF,
o hotel informa que Dirceu apresentou formalmente sua pretensão de tornar-se
gerente administrativo do estabelecimento no dia 18, e em seguida foi admitido
no quadro de funcionários, tendo assinado contrato e carimbado sua carteira de
trabalho.
No
contrato de trabalho, o hotel afirma que “tem plena ciência e anui com as
condições do empregado”. (Valor Econômico)
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