Foi condenado em 1991 por assalto à mão armada, fugiu da prisão e
permaneceu foragido por dez anos.
Política mafiosa
EDITORIAL
FOLHA DE SP
FOLHA
DE SP - 27/05
Greve de ônibus paulistanos
traz à superfície investigação sobre presença de deputado petista em reunião
com membros de facção criminosa
A política brasileira tem
comparecido ao noticiário criminal com frequência indesejável, como atestam os
mensalões do PT nacional e do PSDB mineiro, além dos escândalos Alstom/Siemens.
Se predominam, nesses casos,
os chamados crimes de colarinho branco, surgem indícios preocupantes de que
instituições representativas estejam sendo conspurcadas também por outros tipos
de delitos, violentos e facinorosos.
Essa perspectiva tornou-se
conhecida na esteira da greve de motoristas e cobradores de ônibus em São Paulo,
paralisação recém-considerada abusiva pela Justiça. Vieram à tona, com ela,
investigações que sugerem a infiltração de organizações criminosas e
sanguinárias na política paulista.
Tentando livrar-se da
responsabilidade pelo colapso dos transportes públicos na semana passada, a
administração municipal petista e o governo estadual tucano se entregaram à
costumeira troca de acusações. Foi grave o que disseram, mas, sobretudo num ano
eleitoral, suas declarações devem ser peneiradas pela cautela.
Enquanto o PT denunciava
suposta omissão da Polícia Militar, o PSDB lançou acusação muito mais
inquietante: um deputado estadual do PT, Luiz Moura, participou em março de uma
reunião com a presença de 13 pessoas suspeitas de atuar na facção criminosa
PCC.
O encontro deu-se na
Transcooper, cooperativa permissionária de linhas de ônibus que faturou R$ 1,8
bilhão em três anos e tem Moura como associado. A polícia investigava a série
de atentados contra coletivos na cidade; segundo apurou, 11 dos 13 presentes
não teriam ônibus nem ligação com a área, embora em tese discutissem temas de
interesse dos cooperados.
Moura diz ter comparecido à
reunião com o propósito de impedir uma paralisação do setor. Nega ter ligação
com grupos criminosos. Não concorre para sua credibilidade o fato de que foi
condenado em 1991 por assalto à mão armada, fugiu da prisão e permaneceu
foragido por dez anos.
O deputado estadual tem
relações com o grupo político do secretário municipal de Transportes de São
Paulo, Jilmar Tatto, de quem recebeu R$ 200 mil para sua campanha eleitoral. Um
irmão, Senival Moura, é vereador paulistano pelo PT e fundador de um sindicato
de donos de lotações.
Se é cedo para dizer até
onde avançam os tentáculos do crime organizado, o PT não pode esperar para
conduzir sua própria investigação, célere e sem subterfúgios, acerca desse
episódio.
O partido já perdeu, há
quase uma década, a aura de paladino da moralidade pública, mas seria
devastador ver-se de alguma forma envolvido com a escória das prisões e com o
pioneirismo, por aqui, da contaminação mafiosa que tanto envenenou a política
italiana.
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