Mea Culpa
Ary
Fontoura
27Outubro
2014
Mea culpa! Ao saber do
apertado resultado da eleição e ouvir o discurso da Presidente, cercada do seu
“staff passado, presente e futuro”, achei que o cenário preparado para esta
explanação estava mal ajeitado. A claque, muito agitada e histérica, impedindo
que os acordes finais da voz de Dilma pudessem ser ouvidos, aplaudindo
freneticamente o Lula que lá estava feito papagaio de pirata, lambendo a cria e
sonhando com a transposição do São Francisco, e viajando no Trem Bala que a
comadre Dilma, depois que esteve na Disney, inventou. E lá estava ele, sem
saber pra onde ia, o que fazia e o que sabia.
Dilma devia ter limpado o
espaço e ficado sozinha no apelo que fez a outra metade da população que nela
não votou, prometendo coibir a corrupção; prometendo fazer mudanças que a
sociedade clama, para reformar a política. Enfim, tudo que já prometeu e não
fez! Devia dizer que agora sua governança não estava mais designada ao partido,
apenas para manter o Lula sempre presente, mas, sim, para governar como nunca
fez!
Eu deveria ficar
profundamente triste com a vitória da Dilma e a derrota do Aécio, meu
candidato. Eu que nesta página apregoei mudanças, que achava que deveriam ser
feitas. Fui vítima como a maioria dos brasileiros que pagam impostos. Fui
vítima do prestigio involuntário que dei ao programa eleitoreiro do Bolsa
Família, pagando religiosamente os impostos a mim atribuídos, ousando lhes
dizer que podem consultar minhas declarações de imposto sobre a renda e
constatar que tudo o que possuo está lá declarado; que tudo o que tenho é
descontado de mim além da minha própria renda. E lhes faço uma pergunta: Será
que o Presidente Lula, e muitos outros políticos, e muitos outros eleitores,
podem fazer o mesmo? Vivemos no País do jeitinho, do levar vantagem em tudo. Mas
eu posso! Tudo o que ganhei e ganho está lá declarado como fruto do meu
trabalho. Pago quatro meses de impostos por ano pro Governo se apossar e fazer
assistencialismo às minhas custas. Sou contra a perenização do Bolsa Família.
Deveria ser emergencial, jamais permanente. Ele mata a fome e escraviza! Usa a
ignorância do povo e o prende numa armadilha desonesta.
Por isso, nem eu nem os que
pagam impostos neste país temos o direito de chorar a derrota do Aécio. Temos
que chorar pela nossa inoperância, pelo descuido de sermos honestos; de
patrocinar esta fissura petista de manter o poder por vinte ou mais anos; da
manutenção deste mar de lama que dia a dia cresce mais; de manter os ignorantes
como boi a caminho do corte.
Hoje não é um dia de luto, é
um dia de reflexão. Até que ponto vale a pena ser honesto? Até que ponto vale a
pena ser brasileiro, ter esperanças?
E, para finalizar, como nas
novelas, nossas velhas companheiras, quero lhes dizer que emoções mais fortes
ainda estão por acontecer no capítulo de amanhã. Uma delas será quando o povo,
personagem principal do folhetim, descobrir que vive a jornada de um imbecil,
até o entendimento.
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