O nababo do Caribe
RODRIGO
CONSTANTINO
O
GLOBO - 08/07
Cuba se tornou um antro de
prostituição infantil, tráfico de drogas e de armas, tudo sob o estrito
controle do ditador
Mais jovem, ele gostava de
curtir seu enorme e luxuoso iate de 90 pés, decorado com madeiras nobres
importadas de Angola, cercado de forte aparato de segurança. Frequentava sua
linda ilha particular, ao lado de tartarugas e golfinhos.
Adorava pescarias e caçadas
submarinas. Se o trabalho o chamasse, havia um helicóptero à sua disposição.
Degustava iguarias caras como os presuntos pata negra e seu uísque Chivas
Regal. Ainda possui dezenas de casas espalhadas pelo país, com quadra de
basquete e cinema particular.
De qual magnata capitalista
ou herdeiro playboy estamos falando? Nada disso. Esses eram os hábitos do
“espartano” Fidel Castro, revelados por seu ex-segurança que foi sua sombra por
17 anos. Juan Reinaldo Sánchez, em “A vida secreta de Fidel”, conta inúmeros
detalhes sobre o mais longevo ditador latino-americano. São coisas que ninguém
lhe contou; ele mesmo viu!
Mais um mito cai por terra.
Cuba é uma redoma de mentiras, inventadas pelo regime opressor e aceitas sem
muita crítica pelos cúmplices e os idiotas úteis. Saúde de boa qualidade,
educação de primeira, e um líder revolucionário que conseguiu manter um estilo
de vida simples: tudo propaganda enganosa.
Fidel sempre disse que
levava uma vida modesta, que tinha apenas uma “cabana de pescador”, e que
sequer tirava férias, coisa de burguês. O que vem à tona é o esperado por
qualquer um com bom senso: ele é o verdadeiro nababo do Caribe. “Comparada ao
modo de vida dos cubanos”, diz Sánchez, “essa dolce vita representa um
privilégio absurdo”.
Mas essa vida abastada é o
de menos, apesar de demonstrar toda a hipocrisia do “igualitário” (como ocorre
com nossa esquerda caviar, que adora o socialismo do conforto de Paris, ou com
os milionários Lula e José Dirceu, representantes do “povo”). O que emerge dos
relatos é um traço psicológico assustador, típico de um psicopata. Fidel
“utilizava as pessoas enquanto elas lhes fossem úteis”, e depois “as jogava no
lixo sem o menor escrúpulo”.
O destino do próprio autor é
prova disso. Totalmente fiel por quase duas décadas ao “líder máximo”, que
considerava um deus, quando resolveu se aposentar simplesmente foi jogado na
prisão por dois anos, em uma cela infestada de baratas, foi torturado e sofreu
até tentativa de assassinato. Após 12 anos e várias tentativas, conseguiu
finalmente fugir para Miami, de onde contou sua história para abrir os olhos
daqueles que ainda são cegos diante da realidade.
Egocêntrico, que precisa ser
o centro das atenções e jamais pode ser contrariado, extremamente manipulador e
disposto a sacrificar o mais próximo dos aliados se isso lhe parecer necessário
para preservar o poder: assim é Fidel Castro, visto pelos inocentes úteis como
um ser abnegado que dedicou sua vida aos outros. O fanatismo de seus seguidores
impede qualquer análise crítica.
Até mesmo sua família foi
alvo de sua insensibilidade, e seus filhos nunca receberam carinho paterno. Na
linha de boa parte da esquerda, Fidel sempre amou a Humanidade como abstração;
era o próximo de carne e osso que ele não suportava.
Outra confissão explosiva
feita pelo autor, ainda que já conhecida por muitos, é a ligação de Fidel com o
tráfico de drogas. Que Cuba sob seu comando virou uma escola de terroristas,
isso é notório, e basta pensar no “Chacal”. Cuba treinou milhares de
guerrilheiros também, exportando a “revolução” mundo afora.
Para financiar fim tão
“nobre”, o tráfico de drogas era visto como um meio aceitável. Sánchez escutou
Fidel coordenando diretamente a exportação de cocaína. Os narcotraficantes das
Farc sempre receberam apoio de El comandante também. E pensar que nosso BNDES
financiou a reforma do Porto de Mariel, ao custo de um bilhão de dólares!
Cuba se tornou um antro de
prostituição infantil, tráfico de drogas e de armas, tudo sob o estrito
controle do ditador, já que nada ocorre por lá sem seu conhecimento ou
autorização. O aparato de vigilância é similar ao de todos os regimes
totalitários. Cuba é uma “coisa” de Fidel, como diz Sánchez. “Ele é seu dono, à
maneira de um proprietário de terras do século XIX.”
O autor conclui o livro
questionando por que as revoluções sempre acabam mal e seus heróis se
transformam em tiranos piores que os ditadores que combateram. Parte da
resposta é que o poder corrompe. Outra parte é que, muitas vezes, psicopatas
buscam nas revoluções um pretexto para colocar sua sede patológica pelo poder
em prática. Fidel parece pertencer ao segundo tipo. E pensar que Dilma gosta de
fazer afagos em um tirano desses...

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