Cresce o escândalo de corrupção na Petrobras
EDITORIAL
O GLOBO
O
GLOBO - 12/08
Contadora
de Youssef, ao confirmar montagem de esquema dentro da estatal, para subtrair
dinheiro de empreiteiras, amplia a dimensão das suspeições sobre a empresa.
Enquanto o escândalo do
mensalão estourou de uma vez, na denúncia feita pelo mensaleiro acuado Roberto
Jefferson, do PTB , à “Folha”, o caso da montagem de um o esquema de corrupção
dentro da Petrobras tem emergido aos poucos. Na última edição de “Veja”,
contornos desse esquema ficaram mais nítidos, com a entrevista de Meire Poza,
contadora do doleiro Alberto Youssef, cumprindo prisão preventiva em Curitiba.
Youssef, acusa a Polícia
Federal, é o principal gerente de uma bilionária lavanderia de dinheiro sujo
remetido por empreiteiras, tendo como beneficiários finais políticos do “PT,
PMDB e PP”, revela a contadora. Também como o doleiro, cumpre prisão preventiva
em Curitiba, base de operação de Youssef, o ex-diretor da Petrobras Paulo
Roberto Costa — tudo indica o primeiro elo do sistema de bombeamento de cifras
incalculáveis neste propinoduto. Os dois, apanhados na Operação Lava-Jato, da
PF.
Paulo Roberto, mostram
investigações e Meire Poza, fazia o clássico papel de criador de dificuldades
para vender facilidades. Podia-se deduzir que o ex-diretor da estatal havia
sido peça-chave na quadrilha, no tempo em que presidiu o conselho de
administração da obra da refinaria Abreu e Lima, um monumento ao desvio de
dinheiro público, como já atestam auditorias do TCU. Não é sempre que um
projeto orçado em US$ 2 bilhões custa, ao final da obra, US$ 20 bilhões.
Com a decisão de Meire Poza
de contribuir para as investigações da PF, as evidências de roubalheira na
Petrobras e suposições de drenagem de dinheiro da estatal para financiar
políticos do PT e aliados do governo passam a ter a sustentação de documentos e
do testemunho de alguém que trabalhou nas armações. Pode-se dizer que o
escândalo começa a ganhar dimensões de outro mensalão de petistas, este em
sociedade com aliados próximos. É exemplar o pagamento de empreiteiras a
empresas fantasmas de Youssef e a pelo menos uma “consultoria” de Paulo Roberto
Costa. Ciosas, revelou O GLOBO, empreiteiras declararam à Receita Federal o que
pagaram ao esquema de Youssef e Costa. Ou, pelo menos, parte.
A contadora pode contribuir
para jogar luz na outra ponta desta lavanderia, a dos políticos. Até agora,
haviam sido citados o Deputado André Vargas, sem partido, fora do PT devido às
ligações com Youssef, e Luiz Argôlo (SDD-BA). Meire confirma um depósito para o
senador Collor, já noticiado. O petista Cândido Vaccarezza, de São Paulo,
também foi ajudado, para saldar dívida de campanha. E ela colocou na lista dos
beneficiários Mário Negromonte (PP), ex-ministro das Cidades É certo que a
contadora sabe mais, a considerar as “malas e malas” de dinheiro que ela diz
ter visto passar à sua frente. A presidente Dilma diz que a Petrobras é alvo de
“factoides políticos”. Não parece. Alvo ela foi de um aparelhamento que
resultou em um escândalo formado por dois negócios desastrosos: as refinarias
de Pasadena e Abreu e Lima. E ele começa a crescer.

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