A derrota de Dilma
ELIANE
CANTANHÊDE
FOLHA
DE SP - 31/08
Ganhe ou perca a
reeleição, Dilma Rousseff não escapa mais de uma derrota no seu primeiro
mandato: na economia. Não foi por falta de aviso. Até Lula alertou.
Enquanto Dilma usa a
propaganda de TV, debates e entrevistas para falar de programas pontuais, como
o Pronatec, que qualquer gerente faz, a economia brasileira continua dando uma
notícia ruim atrás da outra.
O desafio da oposição não é
bater na tecla de PIB, controle fiscal e contas externas (a maioria das pessoas
nem sabe o que é isso), mas ensinar que não se trata só de números nem atinge
só o "mercado" e a "elite". Afeta o desenvolvimento, a
indústria, os investimentos, a competitividade e, portanto, a vida de todo
mundo e o futuro do Brasil.
O super Guido Mantega, que
sempre prevê PIBs estratosféricos e acaba se esborrachando com os resultados,
conseguiu adicionar uma pitada de ridículo nas novas notícias ruins. Na quinta
(28), ele disse que os adversários de Dilma levariam o país "à
recessão". Na sexta (29), o governo anunciou que o risco já chegou: o
recuo da atividade econômica pelo segundo trimestre consecutivo caracteriza...
"recessão técnica". Ou "herança maldita", segundo Aécio.
Não há Pronatec que dê jeito...
Para piorar as coisas, vamos
ao resultado fiscal anunciado na mesma sexta: o governo federal (Tesouro, BC e
INSS) teve o maior rombo do mês de julho desde 1997. A presidente candidata
anda gastando muito.
Passado o trauma da morte de
Eduardo Campos e assimilada a chegada triunfal de Marina Silva, a economia
retoma o centro do debate eleitoral. Não há uma crise, mas há má gestão. Como
Campos dizia, Dilma é "a primeira presidente a entregar o país pior do que
encontrou".
Dilma e Mantega culpam o
cenário internacional. Marina, rumo à vitória, e Aécio dizem que não é bem
assim e apontam quem vai arranhar o joelho, cortar o cotovelo e talvez machucar
a cabeça se a economia for ladeira abaixo. O eleitor, claro.
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