E o Lula, hein?
ELIANE
CANTANHÊDE
FOLHA
DE SP - 01/08
BRASÍLIA - Dúvida atroz:
será que Lula escapa incólume, sem um arranhão, da onda de rejeição a Dilma
Rousseff e ao PT?
Se Dilma acumula 35% de
rejeição nacional, 47% no Estado de São Paulo e estonteantes quase 50% na
capital paulista...
Se o prefeito Fernando
Haddad tem baixa aprovação e o candidato Alexandre Padilha patina em
constrangedores 4 ou 5% nas pesquisas no maior colégio eleitoral do país...
Se o pemedebista Paulo Skaf
não quer ouvir falar de Dilma em seu palanque paulista e o petista Fernando
Pimentel a esconde em Minas...
Se, além de São Paulo, os
candidatos petistas estão emperrados no Rio e demais Estados onde concorrem...
... conclui-se o óbvio: a
coisa está feia não só para Dilma, que o PT tanto critica, mas para o próprio
partido. Até porque, bem ou mal, ela continua favorita nas pesquisas.
E onde se encaixa Lula
nisso? Uma dedução natural é que essa convergência de rejeições (à candidata e
ao PT) deve atingir, mais cedo ou mais tarde, em maior ou menor grau, a
popularidade do próprio Lula. Será?
Afinal, ele foi o inventor
de Dilma, Haddad e agora Padilha, além de ser o grande líder do PT. Difícil
imaginar que todos paguem o pato e ele continue mantendo a mítica intocável.
Vale o registro de que Lula
adora futebol, mas a Copa começou, encantou e acabou, e não se viu nem ouviu
falar de Lula em estádios ou em eventos da seleção brasileira.
O Lula de hoje é o das
entrevistas a blogs camaradas, reuniões a portas fechadas com Dilma,
articulações com a cúpula da campanha, assembleias da CUT. E, claro, dos
auditórios protegidos e do aconchego dos ambientes do PT. Na campanha para
valer, só deve ir ao Nordeste e a palanques pré-selecionados. Vai na boa, nada
de bola dividida.
Ou está se descolando
da rejeição (de Dilma e do PT) e se prevenindo de eventuais derrotas alheias,
ou tem pesquisa mostrando que a coisa não anda boa também para o lado dele.
Nenhum comentário:
Postar um comentário